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Pastorais do campo denunciam “violência em curso” no governo Temer

Nota defende "reforma política que garanta mecanismos de participação popular nos destinos da nação"

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Manifestantes do MST ocupam Incra em Aracaju nesta quarta (8)
Manifestantes do MST ocupam Incra em Aracaju nesta quarta (8) | Crédito: Manifestantes do MST ocupam Incra em Aracaju nesta quarta (8)

Em nota pública, a Articulação das Pastorais do Campo, composta pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), pelo Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) e pelo Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), denuncia o "desmonte dos direitos conquistados em longo processo de lutas" pelo governo interino de Michel Temer.

A nota repudia a fusão e a extinção de ministérios ligados ao campo social, como o do Desenvolvimento Agrário e o dos Direitos Humanos, da Igualdade Racial e da Mulher. Além disso, o texto lembra a questão polêmica da nomeação de apenas homens como ministros, sendo que nenhum deles estaria "alinhado às classes sociais desprotegidas". 

"Seus ministros acenam que as medidas de reconhecimento de terras indígenas e territórios quilombolas tomadas pelo governo Dilma, nos meses anteriores a seu afastamento, poderão ser revogadas", criticam as pastorais.

Teor da carta

Com o título "O povo não cabe no orçamento do governo provisório", a nota considera que o plano econômico anunciado pelo governo interino propõe colocar um limite para despesas em saúde, educação e outros "setores essenciais à vida do povo", como a Previdência Social, a moradia e o programa Bolsa Família.

"A cada dia de atuação desse novo governo interino se confirma a subserviência do presidente Temer aos interesses financeiros dos conglomerados empresariais, do capital nacional e internacional, representados, sobretudo, pela bancada ruralista e por setores ligados a interesses minerários", afirma.

A Articulação das Pastorais considera um "escárnio à história e à inteligência do povo brasileiro" e um "claro e transparente atentado contra a democracia" o afastamento da presidenta Dilma Rousseff. O processo de impeachment é visto como uma forma de "proteger corruptos, dando-lhes poder para garantirem seus privilégios e bloquearem as investigações em curso. E limitar os ganhos sociais dos mais pobres".

Por fim, a nota denuncia "a violência em curso" e diz se somar às vozes de muitas igrejas cristãs e não cristãs, dos movimentos sociais, dos jovens que ocupam escolas na defesa do direito a condições melhores de educação, e de milhares de famílias silenciosas que "veem suas parcas conquistas escorrerem pelas suas mãos".

"É necessária e urgente uma profunda reforma política que garanta mecanismos de participação popular nos destinos da nação. É patente que o Executivo e o Legislativo não respondem à sociedade, não olham para os interesses do povo. Obedecem unicamente aos ditames dos doadores de suas campanhas", conclui.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

Editado por: Redação

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