OCUPAÇÕES DE ESCOLAS

Editorial: Ocupar é resistir

Os estudantes mostraram, com seu próprio exemplo, como a escola pode ser um espaço de formação de pessoas melhores

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As ocupações foram fundamentais para arrancar do governo reivindicações importantíssimas
As ocupações foram fundamentais para arrancar do governo reivindicações importantíssimas | Crédito: As ocupações foram fundamentais para arrancar do governo reivindicações importantíssimas

Os últimos meses vão ficar marcados para sempre na história da educação pública no Rio de Janeiro. Greve dos professores por melhores condições de trabalho, mobilizações contra o golpe nas universidades e, principalmente, o movimento dos estudantes por uma educação de qualidade.

Mais de 70 escolas foram ocupadas para pressionar por melhores condições de estrutura e criticar o autoritarismo das direções. Os estudantes mostraram, com seu próprio exemplo, como a escola pode ser um espaço de formação de pessoas melhores.

Os colégios se tornaram democráticos. Todos podem opinar e decidir sobre os rumos em assembleias nas quais a participação é livre, inclusive a moradores das comunidades, mães e pais de estudantes, ex-alunos, etc.

Os estudantes passaram a ter maior respeito e cuidado com o espaço da escola. Eles e elas se organizaram para pintar as paredes, fazer comida, limpar os banheiros e corredores, além de todo tipo de trabalho.

Também fizeram da escola um importante espaço de integração da comunidade, organizando atividades abertas, com muita cultura e participação. O resultado disso: os próprios moradores, próximos à escola, passaram a contribuir com a escola, ajudando nos serviços, doando alimentos e materiais e ajudando a ocupação a se manter.

Para além dos muitos aprendizados, a ocupação também foi fundamental para arrancar do governo reivindicações importantíssimas.  Como por exemplo a possibilidade de os próprios estudantes e professores escolherem a direção da escola. Isso antes era feito com a indicação do governo, sem diálogo com ninguém. Também foi firmado um compromisso de maior investimento para resolver problemas de estrutura, e o fim do Saerj, prova que submetia as escolas a uma competição que fortalecia a desigualdade de condições.

É verdade que muitas das reivindicações ainda não foram conquistadas, além das tentativas do governo de desmobilizar as ocupações, fortalecendo o movimento "desocupa". Apesar disso, os estudantes demonstraram que são capazes de resistir, e, de forma organizada, alcançar uma educação melhor para toda a juventude.

 

Editado por: Redação

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