Arrocho

Entidades brasileiras criticam PEC 241 na ONU

Organizações afirmam que proposta causa desmantelamento do sistema de direitos humanos no Brasil

Manifestantes protestam contra proposta durante sessão na Câmara dos Deputados
Manifestantes protestam contra proposta durante sessão na Câmara dos Deputados | Crédito: Manifestantes protestam contra proposta durante sessão na Câmara dos Deputados

Um conjunto de organizações da sociedade civil apresentou um relatório à Organização das Nações Unidas (ONU) denunciando a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 de 2016.

As entidades afirmam que o projeto, bem como Orçamento da União para 2017, representam ameaças aos direitos da população e desarticulam o sistema de direitos humano no Brasil. O texto foi entregue ao Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça, nesta quarta-feira (5).

O documento é uma contribuição ao terceiro ciclo de Revisão Periódica Universal (URP), que ocorre e 2017, durante a 27ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

A URP é um mecanismo do Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU através do qual todos os 193 Estados-membros devem relatar a situação dos direitos humanos em seu território a cada quatro anos e meio. A última vez que o Brasil passou pelo processo foi em 2012

As entidades que entregam o relatório são a Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB), a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), a Cáritas Brasileira, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia (Sinfrajupe).

Confira a versão em áudio da nota (para baixar o arquivo, clique na seta à esquerda do botão compartilhar):

 

Críticas

As entidades que elaboraram o relatório afirma que a PEC 241, que estabelece limites para o investimento público pelas próximas duas décadas, impactando áreas como saúde e educação, e o Orçamento de 2017 "confrontam garantias presentes na Constituição Federal de 1988".

“Os cortes tendem a ser aplicados em programas sociais e serviços públicos essenciais, prejudicando o gozo dos direitos humanos, em especial, dos grupos mais marginalizados e desfavorecidos”, dizem. “Se aprovada, a PEC 241 poderá, por exemplo, promover o desmonte material do Sistema Único de Saúde (SUS)”.

A redução de investimentos por parte do Estado brasileiro é um processo que, segundo as organização, já deve se fazer sentir a partir do ano que vem. O Orçamento de 2017 “prevê cortes bilionários de recursos para setores como habitação popular, desenvolvimento regional, reforma agrária, entre outros”.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

Editado por: Redação

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