Congelamento

Oposição entrega a Rodrigo Maia documento com 325 mil assinaturas contra a PEC 241

Protestos marcaram sessão desta terça (25) na Câmara dos Deputados

Oposição protesta durante discussão da PEC 241 no plenário da Câmara
Oposição protesta durante discussão da PEC 241 no plenário da Câmara | Crédito: Oposição protesta durante discussão da PEC 241 no plenário da Câmara

Um ato contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, aprovada em segundo turno na noite desta terça (25) por 359 votos a 116, teve destaque na Câmara Federal, em Brasília. Durante a sessão de discussão da medida, parlamentares da oposição entregaram ao presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um abaixo-assinado com 325 mil assinaturas colhidas virtualmente pelo Avaaz contra a proposta.

Durante o ato, a oposição reforçou a preocupação com a redução dos investimentos nas áreas sociais, que vem sendo apontada por pesquisadores e entidades que se debruçaram sobre o tema.

“Direitos previstos na Constituição Federal e o Estado de bem-estar social, fundado em 1988, ficam revogados com essa PEC. Hoje, nós temos 15% da receita total da União investidos em saúde pública. Em 2028, reduziremos para 11%. Com essa PEC, também será impossível alcançar as metas do Plano Nacional de Educação, por exemplo. Vai ser impossível elevar para 30% o número de estudantes brasileiros matriculados na universidade, colocar todas as crianças na escola e também erradicar o analfabetismo, entre outras metas”, salientou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que foi à Câmara participar do ato.

Confira a versão em áudio da nota (para baixar o arquivo, clique na seta à esquerda do botão compartilhar):

Já o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) enfatizou a ressonância que a aprovação da medida pode ter na vida dos trabalhadores. 

“Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, por exemplo, indicou que, se a PEC tivesse sido aprovada no ano de 1998, hoje o salário-mínimo seria de R$ 400. A gente não pode permitir que essa realidade seja dada como um fato consumado. (…) Parabéns à sociedade civil organizada, que está se mobilizando contra essa medida do governo, que vai prejudicar e muito os trabalhadores e os mais pobres”, afirmou Braga.

Na ocasião, o líder do PSOL na Câmara, Ivan Valente (SP), destacou que a oposição tem proposto medidas alternativas à PEC 241 para conter a crise econômica.

“Precisamos taxar as grandes fortunas, as grandes heranças, fazer auditoria da dívida pública e acabar com as desonerações, e não aprovar uma medida dessa natureza. (…) A PEC representa a perda de uma geração inteira, é contra a nossa juventude e a população como um todo; uma PEC reacionária que vem acompanhada daqui a pouco de uma reforma da Previdência, que é outra coisa que vem para o povo pagar a conta da crise”, disse o psolista.

Segmentos estudantis também têm comparecido à Câmara para protestar contra a medida. “Essa PEC diz respeito ao nosso futuro, da juventude, da educação, da saúde, dos nossos empregos. (…) E é notória a insatisfação da juventude com isso”, disse o diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE) Iago Campos.

Movimentos

A ordem do dia no plenário da Câmara ocorreu sob intensa resistência de parlamentares e representantes de movimentos organizados. Durante a tarde, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), suspendeu a sessão por alguns minutos por conta de um grupo de jovens que protestava na galeria do plenário, entoando gritos de ordem contra a PEC.

Do lado de fora do Congresso, um grupo de professores e outros servidores públicos provenientes de diversos estados protestaram desde o período da manhã.

“Essa nossa luta é contra a imposição do Estado mínimo, que assassina a educação, a saúde e os serviços públicos”, disse Cátia Farago, do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe).

Senado

A polêmica em torno da PEC 241 se repete no Senado, onde a oposição promete continuar o embate. “O governo pode esperar muita luta. Nós apostamos na perspectiva de ampliar a mobilização social contra a medida, porque este é o único caminho que temos para barrar uma proposta insana como essa”, disse ao Brasil de Fato a senadora Fátima Bezerra (PT-RN).

Já o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) informou que, caso a vitória da PEC se repita no Senado, a última estratégia da oposição será uma articulação conjunta para recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).

“Primeiro, vamos tentar incluir uma proposta de emenda à PEC para que ela seja submetida a um referendo público, porque não é possível que uma medida que altera tão profundamente a vida dos brasileiros pelos próximos 20 anos não seja referendada pela população. Se perdermos nessa proposta, nós, em comum acordo com os líderes da oposição na Câmara, mobilizaremos o STF através de uma ação direta de inconstitucionalidade. Está mais do que claro que essa PEC ofende os direitos consagrados pela Constituição”, disse o líder da Rede no Senado.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

Editado por: Redação

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