Cinema

Documentário “Raízes” faz busca pela ancestralidade negra brasileira

Filme que tem lançamento previsto para 2017 denuncia o apagamento da história dos negros no Brasil

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Cena em que aparece Kelton, personagem que busca seus ancestrais
Cena em que aparece Kelton, personagem que busca seus ancestrais | Crédito: Cena em que aparece Kelton, personagem que busca seus ancestrais

No último dia 20, feriado do Dia da Consciência Negra, foi lançado o teaser do documentário "Raízes", filme que investiga o passado e a ancestralidade afro-brasileira a partir da história de Kelton, jovem negro e periférico, que busca a raiz de sua árvore genealógica. Com lançamento previsto para 2017, o longa foi idealizado por jovens negros das periferias de São Paulo (SP).

“O "Raízes" nasce de um questionamento de alguns jovens negros sobre o porquê de a gente não conhecer a nossa história. Do porquê, ao conversar com amigos brancos, eles sabem exatamente de onde veio sua família e seu sobrenome, e a gente nunca sabe sobre os negros de nossa família. A gente tem uma sociedade que nega parte da história de nosso país, invisibiliza e esconde a história dos negros e dos povos originários”, diz Simone Nascimento, jornalista e uma das idealizadoras do projeto.

Para Nascimento, o filme surge em um momento de grande reflexão sobre identidade negra e resgate da ancestralidade. “O personagem do filme é Kelton, um jovem real, que escolhemos após uma campanha que procurou jovens negros em busca de suas raízes afro-brasileiras. A partir disso, a gente conheceu vários jovens negros da cidade de São Paulo. E, apesar de o Kelton estar fazendo uma busca sobre ele, existe também algo que é coletivo, é uma busca coletiva pela história do povo negro”, aponta.

Além de Simone Nascimento, o filme foi idealizado por Carlos de Nicola, Nayara Mendl e Wellington Amorim. O longa-metragem tem incentivo de uma iniciativa do Instituto Criar, a Estácio e o Prêmio Criando Asas, que fomentam e viabilizam projetos que usam o audiovisual como ferramenta de transformação social.

Para conhecer toda a família de Kelton, o filme foi gravado em algumas cidades do interior de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Além do orçamento limitado, a produção independente encontrou dificuldades para contar a história pouco registrada.

"A gente foi em busca da árvore genealógica dele, encontrando barreiras da invisibilidade e do apagamento histórica do povo negro brasileiro. Então, durante o filme, vamos ter dificuldade em encontrar os parentes que o Kelton não conhecia. E essa busca nos fez questionar porque a gente só aprende que é descendente de escravo, mas não conhece mais nada sobre nossos ancestrais", afirma Nascimento.

Edição: Camila Rodrigues da Silva

Editado por: Redação

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