Artigo

Ocupar, resistir e formar uma nova geração

Nós, jovens, aprendemos com os movimentos populares a usar as ocupações como ferramenta política

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Ocupações na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já duram mais de um mês
Ocupações na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já duram mais de um mês | Crédito: Ocupações na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já duram mais de um mês

Hoje, por todo o Brasil, mais de mil escolas e 221 universidades estão OCUPADAS pela juventude. As ocupações foram resgatadas pelos jovens como forma de luta para enfrentar a absurda Reforma do Ensino Médio, a lei da Escola Sem Partido – que nos tira o pensamento crítico – e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 55), que congela os investimentos em saúde e educação por vinte anos.

A movimentação da juventude tem animado os trabalhadores, mas vale lembrar que nós, jovens, aprendemos com os movimentos populares a usar as ocupações como ferramenta política. Carregamos em nossa bagagem o que os sem terra fazem há anos, nos ensinando a radicalizar a luta e a questionar a função social, política e cultural dos espaços.

Nas escolas e universidades ocupadas, a juventude tem enfrentado com muita coragem a violência abusiva da polícia, várias ameaças com discursos de ódio e a educação autoritária. Enfrentamos ainda o menosprezo da sociedade a voz de jovens, mulheres, negros e LGBTs como sujeitos políticos.

Cada ocupação tem a sua autonomia, mas muitas se parecem na forma em que se organizam. Existem divisões de tarefas, que chamamos de comissões de estrutura, segurança, limpeza, comunicação, alimentação, saúde, programação e outras. Todo estudante trabalha em uma comissão, o que tem transformado a nossa consciência. Pensamos muito mais no coletivo do que no individual.

Estamos nos organizando para transformar as escolas e as universidades, por nós mesmos. E no meio disso tudo, nos preocupamos uns com os outros, nos divertimos e enfrentamos, às vezes, nossos egoísmos. Estamos construindo novas relações de companheirismo, porque queremos construir um novo projeto de sociedade.

*Militante do Levante Popular da Juventude e ocupante da Universidade Federal de Minas Gerais desde 24 de outubro.

Editado por: Redação

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