Crise

Formalização do trabalho doméstico cai em SP, afirma diretor técnico do Dieese

Clemente Ganz Lúcio relaciona crise econômica com redução de assalariamento de trabalhadoras domésticas

Cena do documentário Domésticas, de Gabriel Mascaro
Cena do documentário Domésticas, de Gabriel Mascaro | Crédito: Cena do documentário Domésticas, de Gabriel Mascaro

A crise econômica está afetando a formalização do trabalho doméstico na região metropolitana de São Paulo. É o que avalia o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, em entrevista para a Rádio Brasil Atual, com base nos dados da última pesquisa de emprego e desemprego realizada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados, a SEADE.   

Segundo Clemente, o estudo constatou que as condições de trabalho das trabalhadoras domésticas, que correspondem a 97% das pessoas na profissão, têm sofrido mudanças importantes nos últimos tempos.

"Nós temos também o impacto da crise econômica e portanto o aumento do assalariamento das trabalhadoras sem carteira de salário assinada, perdendo o vínculo de proteção social que o registro em carteira dá".

O estudo destacou ainda que há um crescimento do número de trabalhadoras diaristas, que não foram contempladas pela Emenda Constitucional que regulamenta o trabalho doméstico no país. Ao mesmo tempo, diminuiu o número de mensalistas.

"Espero que no futuro, com a economia crescendo, com o processo de valorização do trabalho no Brasil, ocorra o que ocorre nos países desenvolvidos. Que esse trabalho tenda a ser cada vez mais realizado por empresas especializadas que oferecem um trabalho protegido, com condições salariais adequadas, e não o que temos ainda hoje no país, um trabalho predominantemente precarizado, sem proteção social e muitas vezes explorado com jornadas elevadas e condições que não são adequadas para aquilo que o Brasil já conquistou de proteção social".

Por enquanto, a profissão sofre com a queda no rendimento médio e o aumento no desemprego, de acordo com as informações apontadas na análise do Dieese.

 

*Com entrevista da Rádio Brasil Atual

Editado por: Daniela Stefano

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