Quem disse que futebol não tem a ver com política? Ao contrário do que muitos acreditam, o esporte não precisa ser apenas passatempo, mas também pode ser meio de mobilização. É assim que pensa um grupo de torcedores do Flamengo, que se juntou para reivindicar eleições diretas e a saída do presidente golpista, Michel Temer (PMDB). O movimento, lançado no início de junho, chamado Fla Diretas, não reúne só torcedores do rubro-negro, mas também de outros times cariocas.
Essa é a segunda vez que flamenguistas organizam movimento pelas eleições diretas. Em 1984, os torcedores participaram da campanha pelas Diretas Já, organizando o Fla Diretas. Alguns desses que participaram do movimento há mais de 30 anos, hoje fazem parte dele novamente. O desenho que representa o movimento, com o tradicional urubu da Gávea carregando um papel de voto na boca, é o mesmo feito pelo cartunista rubro-negro Henfil anos atrás.
“Fomos a primeira torcida a organizar o movimento por duas vezes. A mobilização está muito bacana temos botafoguenses e tricolores fazendo parte dela também. É um movimento de todos. Estamos nos organizando para novas atividades”, explica Ivan Cosenza, presidente do Instituto Henfil e filho do cartunista.
Para ele, é importante relembrar a mensagem que o pai quis passar com seu trabalho. “Meu pai fez tirinhas que incluíam o futebol na realidade do país. Com isso, mostrou que o esporte não é uma questão a parte. Temos que aproveitar para unir as coisas, podemos ter a paixão pelo time, a diversão, mas também não esquecer o que está acontecendo no país”, conclui.