Retrospectiva

Ensino superior foi marcado pela crise financeira de universidades em 2017

O ano também foi marcado por mudanças no Programa de Financiamento Estudantil (Fies).

Ato na Uerj em defesa das universidades públicas, em outubro de 2017
Ato na Uerj em defesa das universidades públicas, em outubro de 2017 | Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

O ano de 2017 começou com muitos desafios para as instituições de ensino superior. Uma das maiores universidades do Brasil, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UFRJ), anunciou que não iniciaria o ano letivo na data prevista por falta de verbas.

Depois, foi a vez da USP divulgar que enfrentava dificuldades financeiras. Por fim, com um corte de aproximadamente 40% do orçamento, as universidades federais se juntaram às estaduais no aperto das contas.

O MEC, depois da aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que limitou os gastos públicos, teve um contingenciamento de 12% no orçamento total e revisou o corte de verbas das universidades. No início de dezembro foram liberados R$ 290,9 milhões para instituições federais de ensino. Segundo a pasta, em todo o ano, foram repassados R$ 7,5 bilhões.

Além da crise financeira, operações da Polícia Federal em universidades públicas também chamaram a atenção e geraram polêmicas. Houve conduções coercitivas e prisões em investigações sobre supostos esquemas de corrupção.

Dentre os alvos estiveram as federais de Minas Gerais, Paraná e de Santa Catarina. Nesta última, um desfecho trágico: dias depois de ter sido preso por suposta obstrução da Justiça, o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Cancellier, cometeu suicídio. O ato de Cancellier gerou um debate sobre os supostos excessos da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário nas investigações.

A professora da UFMG, Iola Gurgel, questionou a forma como a polícia agiu com a instituição.

O ano de 2017 também foi marcado por mudanças no Programa de Financiamento Estudantil (Fies). As novas, que começam a valer no ano que vem, vão abranger três modalidades. Entre elas, a oferta de vagas com juro zero para os estudantes que tiverem uma renda per capita mensal familiar de até três salários-mínimos.

Além disso, está previsto que o desconto referente ao crédito seja feito automaticamente no salário a partir do primeiro mês de formado, desde que o profissional esteja empregado.

Este também foi um ano de ampliação à política de cotas raciais e sociais nas universidades. A USP e a UFMG aderiram. Já a Unicamp assumiu a liderança como melhor ensino superior da América Latina. E o ano de 2017 ainda registrou o aumento no número de brasileiros das classes C e D que concluíram o curso superior.

Editado por: Brasil de Fato
Conteúdo originalmente publicado em: Radioagência Nacional

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