Religião

“É preciso defender um projeto de paz”, diz pastora evangélica em visita a Lula

Anete Roese esteve na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba nesta segunda-feira

Pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil se posiciona em defesa da democracia
Pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil se posiciona em defesa da democracia | Crédito: Joka Madruga / PT Nacional

Para se contrapor ao discurso de ódio e violência que tem tomado conta das discussões políticas, é preciso apoiar um projeto de amor e paz para a nação. É o que defende Anete Roese, pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

Roese visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta segunda (22), na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Após a visita, a pastora concedeu entrevista coletiva na Vigília Lula Livre. 

“O projeto que a gente precisa defender é de paz para a nação. Nós queremos um Brasil onde as pessoas tenham o direito simples de existir e de viver, e tenham esse direito garantido por lei. Esse foi o grande projeto de Jesus Cristo: incluir as pessoas, ouvir as pessoas”, afirmou Roese. A pastora também criticou a onda de ameaças e agressões por parte de apoiadores de Jair Bolsonaro (PSL): “É uma violência que tem um projeto político por trás”. 

De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, na primeira metade de outubro, foram registrados, por dia, seis atos violentos com motivações políticas. As denúncias envolvem violências física, institucional e psicológica, discriminação, negligência e outras violações. 

Segundo levantamento da Agência Pública, nos primeiros dez dias de outubro, foram registrados 70 ataques violentos em 18 estados brasileiros e no Distrito Federal. Do total, 50 ataques foram cometidos por apoiadores de Bolsonaro, enquanto 6 foram agressões contra eleitores do candidato do PSL.

“Parece que os portões da violência estão se abrindo, e de alguma maneira a gente precisa ter a consciência iluminada nessa última semana, para que possamos fazer uma opção que não leve o Brasil a uma avalanche de violência sem precedentes”, disse a pastora. 

Na visão de Roese, existe um clima de ódio direcionado às minorias e às classes populares, que conquistaram direitos durante os governos petistas. A religiosa entende que o ódio impregnado na população não é “exatamente contra o PT”, mas contra “mulheres, pessoas LGBTs, negras, todas as pessoas que, supostamente, não têm direitos”.

Presentes para Lula

Vinda de Porto Alegre para visitar Lula, a pastora Anete Roese presenteou o ex-presidente com dois livros que contam histórias de resistência. Um deles é “Bonhoeffer, o Mártir”, sobre a vida do pastor luterano alemão Dietrich Bonhoeffer, que defendia uma “igreja da resistência” e foi membro fundador da ala da igreja evangélica contrária à política nazista. 

O outro livro, intitulado “Em busca de sentido”, é baseado na experiência do escritor Viktor Frankl em um campo de concentração nazista, tentando encontrar sentido para a própria vida quando sua liberdade foi tirada. 

Segundo Roese, a mensagem que seus presentes devem passar a Lula é a de que “existe uma liberdade que ninguém pode tirar de nós, que é nossa liberdade interior”.

Lula está preso há mais de seis meses em Curitiba, após condenação sem provas no âmbito da operação Lava Jato.

  

 

 

 

Editado por: Daniel Giovanaz

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