IMPRENSA LIVRE

Jornalista da Rádio Guaíba denuncia censura de Bolsonaro e se demite no ar

Escritor e jornalista Juremir Silva protestou contra decisão da rádio de não permitir perguntas ao candidato do PSL

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Momento em que Juremir (baixo, dir.) protesta, se levanta da cadeira e deixa o programa
Momento em que Juremir (baixo, dir.) protesta, se levanta da cadeira e deixa o programa | Crédito: TV Uol/Reprodução

O apresentador e comentarista Juremir Machado da Silva, da Rádio Guaíba, de Porto Alegre, pediu demissão em pleno ar nesta terça-feira, (23) depois que teve sua participação no programa Bom Dia impedida pelo candidato Jair Bolsonaro.

A Guaíba integra a Rede Record, controlada pelo bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. Em meados do primeiro turno, Macedo desembarcou da candidatura Alckmin e abraçou o projeto de Bolsonaro, engajando todos os seus veículos na campanha do PSL.

Bolsonaro exigiu ser perguntado apenas pelo apresentador Rogério Mendelski, conhecido pelas suas posições direitistas e simpáticas ao candidato. Mendelski topou mas, ao final, Silva questionou a solução adotada.

“Nós podemos dizer que o candidato nos censurou?”, indagou. “Eu não diria isso”, respondeu Mendelski e argumentou que Bolsonaro disse que só daria entrevista para ele.

“Eu achei humilhante e por isso estou saindo do programa. Foi um prazer trabalhar durante aqui durante dez anos”, retrucou Silva, levantando-se da cadeira e abandonando o estúdio.

Os outros dois jornalistas que participariam da entrevista – Jurandir Soares e Voltaire Porto – aceitaram a explicação, mas Silva não. Soares alegou que o Bolsonaro deu a entrevista “em consideração a ti”, referindo-se a Mendelski.  Indagado sobre a atitude de Silva, Porto respondeu que “precisava do emprego” e que entendia a situação.

Além de apresentador da rádio, Juremir Silva, de 56 anos, tem coluna no jornal Correio do Povo, que pertence ao grupo Record. Professor de jornalismo na PUC/RS, ele também é escritor. Entre suas dezenas de obras estão livros como Jango, a Vida e Morte no Exílio, 1930: Águas da Revolução e Raízes do Conservadorismo Brasileiro. Fez pós-doutorado na França orientado por Edgar Morin, Jean Baudrillard e Michel Maffesoli, tornando-se tradutor dos três pensadores no Brasil. 

Confira abaixo o vídeo do episódio:

Editado por: Pedro Ribeiro Nogueira

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