ANÁLISE

ARTIGO | Reeleição de Rui Costa na contramão do cenário nacional

São grandes os desafios do governo estadual diante do contexto nacional mais adverso

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Petista Rui Costa foi reeleito com 75,5% dos votos.
Petista Rui Costa foi reeleito com 75,5% dos votos. | Crédito: Mateus Pereira/GOVBA/FotosPublicas

A vitória de Rui Costa (PT) ainda no primeiro turno com 75,50% dos votos consagrou uma estratégia política considerada por algumas lideranças durante a pré-campanha arriscada por abrir espaço “exagerado” na chapa para a centro-direita, representada pelo PP e PSD. Na verdade, em face da adversidade de um cenário nacional que já mostrava a possibilidade de crescimento da extrema-direita somada à prisão e inelegibilidade do ex-presidente Lula, o Governador liderou um processo que manteve não somente o equilíbrio da coalizão para a sua reeleição, mas levou à frente a estratégia de construção de um diálogo político-partidário para as eleições presidenciais. A reeleição de Rui Costa foi impulsionada, sobretudo, por três fatores: 
a) Geografia eleitoral: após a derrota do PT e da base do governo nas eleições municipais de 2016 nas maiores cidades baianas, o governo entendeu que era necessário levar políticas públicas que minasse uma avaliação negativa da gestão estadual junto à população.
b) Equilíbrio coalizacional: o PT e o governador souberam conduzir uma aliança em nível local descolada das eleições presidenciais, preservando o apoio do PP, PR e PSD, que saíram das eleições municipais de 2016 com um grande número de prefeituras e vereadores. A manutenção da aliança com o “centrão baiano” se deu com equilíbrio de espaço entre as forças políticas.
c) Lulismo e antipetismo: a força de Lula junto ao eleitorado baiano se mostrou um “carro-chefe” de alinhamento das eleições presidenciais às estaduais para os segmentos mais populares da população, no entanto, o êxito de algumas políticas públicas blindou o governo estadual entre uma parte da classes média e alta. Diante do revés eleitoral com a vitória de Bolsonaro, o desafio de Rui será seguir a receita do primeiro governo (gestão), sabendo que terá um contexto nacional e federativo muito mais adverso, bem como dar manutenção a uma aliança política local que evite o isolamento político.

*Professor de Ciência Política da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB).

Editado por: Elen Carvalho

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