Mercado de Trabalho

Ser bom não é o suficiente para quem é negro, critica especialista em RH

Em processo seletivo ou escolha de cargos de chefia, negros são preteridos, mesmo mais qualificados, diz Patrícia Santos

Patricia Santos, fundadora da EmpregueAfro, consultoria de recursos humanos focada na diversidade étnico-racial
Patricia Santos, fundadora da EmpregueAfro, consultoria de recursos humanos focada na diversidade étnico-racial | Crédito: EmpregueAfro

Nesse mês, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgou que 5,2 milhões de pessoas procuram emprego há mais de um ano. O número representa 38,9% dos desempregados no país. Segundo o Instituto, o número total de desempregados no Brasil é de 13,4 milhões de pessoas. 

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) Contínua, divulgada no dia 16 de maio, o desemprego entre as pessoas que se consideram brancas foi de 10,2%. Já a taxa de desemprego para pretos e pardos é maior: 16% entre os que se consideram pretos e 14,5% entre os pardos. 

Para Patricia Santos, fundadora da EmpregueAfro, consultoria de recursos humanos focada na diversidade étnico-racial, problemas como o racismo estrutural e a desigualdade na formação explicam a diferença nos dados.

"O racismo está presente nas instituições, e no mercado de trabalho não é diferente. A primeira barreira que precisamos enfrentar é o racismo estrutural. Muitas pessoas que estão nessas empresas preferem contratar pessoas que se parecem com elas, de maioria branca, heterossexual", avalia.

"Para vencer a barreira da indicação e conseguir empregos, é preciso ter mais amigos negros la dentro, mais pessoas da sua roda de convivência. Este é um desafio, porque o racismo estrutural faz com que você não faça parte desses grupos. Então, essa é a primeira barreira", analisa.

"A segunda é a qualificação. De acordo com o IBGE, somente 14% das pessoas que se formam nos cursos de graduação no país são negros. As cotas tentaram resolver o problema para entrar na universidade, mas a permanência e a conclusão dos cursos ainda é um desafio para a população negra".

A especialista alerta que, por conta disso, os profissionais negros, muitas vezes, são preteridos de cargos, especialmente de liderança, mesmo tendo a mesma qualificação ou até com qualificação superior a de outros profissionais brancos. 

Neste contexto, ela ressalta a importância de conseguir colocar mais negros em posições gerenciais já que a diversidade pode ajudar a mudar a lógica enviesada nos processos de seleção ou na escolha de quais profissionais ocuparão cargos de chefia.

Ela conversou como Brasil de Fato sobre o assunto, apresentando perspectivas e também deu dicas de como lidar com algumas situações.

Ouça a entrevista com Patrícia Santos na íntegra no áudio acima. 

Editado por: Tayguara Ribeiro

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