Vaza Jato

Em 2015, Dallagnol defendia direito de jornalistas vazar informações

Em newsletter publicada neste sábado, Intercept revela que procuradores da Lava Jato elogiavam "whistle blowers"

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Dallagnol: "Autoridades Públicas estão sujeitas a críticas e tem uma esfera de privacidade menor do que o cidadão que não é pessoa pública".
Dallagnol: “Autoridades Públicas estão sujeitas a críticas e tem uma esfera de privacidade menor do que o cidadão que não é pessoa pública”. | Crédito: MPF/Reprodução

Em 2017, procuradores da Lava Jato lamentavam que o Brasil caiu no ranking de percepção da corrupção. Para ilustrar o fracasso que percebiam no país, o compararam à situação na Dinamarca, onde “whistle-blowers” [agentes estatais ou informantes que trazem informações sobre irregularidades do Estado para jornalistas, como Edward Snowden] são valorizados e protegidos. Em um novo boletim do The Intercept Brasil, publicado neste sábado, conversas de chat com membros da força-tarefa da Lava Jato, mostram diálogo entre as procuradoras Monique Cheker e Livia Tinoco:

  • 08:21:39  Aqui

  • 08:33:49 Livia Tinoco Infelizmente, estamos muito, muito longe do modelo da Dinamarca

  • 08:43:25 Monique “Many companies also make use of so- called “whistle-blower” systems that have become very popular in Denmark”.

  • 08:44:07  Enquanto aqui no Brasil há “complexa” discussão se o delator é imoral ou não.

Hoje, Dalton Dallagnol, Moro, e demais membros da força-tarefa se apressam em deslegitimar o conteúdo dos vazamentos e criminalizar sua divulgação. O que se contrapõe às suas posições há poucos anos quando Dallagnol defendia nas redes sociais que para as pessoas públicas, a privacidade é menor.

Em 2015, outro exemplo, Dallagnol, coordenador nominal da Lava Jato, durante conversa em chat sobre medidas para coibir vazamento, lembra que “jornalista que vaza não comete crime”, o que é confirmado por decisão judicial da 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região: “o jornalista que divulga trechos de investigação policial que corre em sigilo não comete nenhum crime”. A mesma decisão também reforça que quem comete crimes são os agentes dos estados que deveriam proteger as informações e não o fazem, não os jornalistas que as divulgam".

Em maio de 2018, Deltan, em um chat chamado “Liberdade de Expressão CF”, criado para defender um procurador ameaçado de punição por críticas à Justiça Eleitoral disse que “autoridades Públicas estão sujeitas a críticas e tem uma esfera de privacidade menor do que o cidadão que não é pessoa pública".

"Não importa o que Deltan, Moro e seus colegas digam sobre isso hoje. Eles estão apenas virando a mesa para defender seus próprios interesses. Isso não anula ou diminui a validade dos princípios fundamentais nos quais acreditamos – os mesmo que eles, hoje, querem destruir", encerra o artigo assinado por Glenn Greenwald, Victor Pougy e Leandro Demori.

Até o fechamento desta edição, o conteúdo completo da carta estava disponível apenas para os assinantes da newsletter – que é gratuita e pode ser assinada no site do The Intercept Brasil.

Editado por: Pedro Ribeiro Nogueira

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