Radares

Tribunal absolve Haddad e enterra tese da “indústria da multa”

Estatísticas sobre total motoristas flagrados demonstrou fragilidade da acusação do Ministério Público

Parte dos recursos arrecado com  multas foi investida por Haddad na construção de ciclovias
Parte dos recursos arrecado com multas foi investida por Haddad na construção de ciclovias | Crédito: Fernando Pereira | Secom-SP

A 11ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo absolveu o ex-prefeito da capital paulista Fernando Haddad (PT) da acusação de aumentar o número de radares na cidade para ampliar arrecadação com as multas. O relator do caso, desembargador Aroldo Viotti, reafirmou decisão de primeira instância, confirmando o que especialistas em segurança no trânsito repetem há anos: não existe indústria da multa.

O autor da ação, promotor Marcelo Milani, queria que Haddad e os ex-secretários Jilmar Tatto, (Transportes), Rogério Ceron e Marcos Cruz (ambos de Finanças) fossem condenados por improbidade e devolvessem R$ 800 milhões ao município. Ele alegou que a aplicação de multas e a ampliação do número de radares na cidade tinha objetivo arrecadatório e não educativo. O Ministério Público questionou ainda a destinação dos valores arrecadados com multas para a construção de ciclovias, terminais de ônibus e financiamento da estrutura da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

A acusação teve impacto político na eleição de 2016, já que o tema foi largamente utilizado pelos adversários de Haddad – mesmo a gestão do petista tendo recebido recebeu reconhecimento internacional por suas ações de segurança no trânsito, como redução de velocidade, ampliação da fiscalização e implementação de ciclofaixas e faixas exclusivas de ônibus.

Os advogados de defesa de Haddad, Igor Tamasauskas e Otávio Mazieiro, disseram ao site Consultor Jurídico que “não houve demonstração da premissa de indústria das multas, considerando que as estatísticas oficiais indicam que mais de 70% dos veículos que transitaram em São Paulo, em 2014, não foram multados”. Entre 2013 e 2016, a prefeitura aumentou de 500 para aproximadamente 900 radares em toda a cidade. As multas cresceram quase 30%, mas concentradas em aproximadamente 23% dos veículos.

Editado por: João Paulo Soares
Conteúdo originalmente publicado em: Rede Brasil Atual

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