Saúde

Defensoria Pública do RJ recorre à Comissão Interamericana para garantir vagas na UTI

A prefeitura do Rio de janeiro, além de não expandir, desativou nos últimos meses 34 leitos de terapia intensiva

Hospital Municipal Albert Schweitzer na cidade do Rio de Janeiro
Hospital Municipal Albert Schweitzer na cidade do Rio de Janeiro | Crédito: Ricardo Cassiano / Prefeitura do Rio

Em média, três pessoas morrem na rede pública de saúde todos os dias à espera de vagas em Unidades de Terapia Intensiva no Rio de Janeiro.  O dado é da Defensoria Pública do Estado do Rio, que decidiu recorrer à Comissão Interamericana de Direitos Humanos para garantir vagas de tratamento intensivo nos hospitais públicos do Rio.

Segundo a defensoria, o número de mortes em decorrência do déficit de vagas pode ser ainda maior porque o levantamento inclui apenas os casos daqueles que recorrem ao órgão e tem as demandas levadas para o Plantão Judiciário.

A situação se agravou de 2015 para cá. A defensoria afirma que antes, após decisão favorável da justiça, as transferências para as UTIs ocorriam em até 24 horas e que agora a espera pode ultrapassar dois dias.

A defensora pública Raphaela Jahara destaca que, apesar de outras ações em curso e inúmeras tentativa de diálogo com as esferas do poder público, a situação não tem se resolvido.

A defensora destaca que há uma ação em curso também sem desfecho pedindo uma unificação no sistema de regulação das vagas, e que a responsabilidade pela situação é das três esferas de gestão. De acordo com a Defensoria Pública, a Comissão pode condenar o Estado Brasileiro e forçar a adoção de políticas para sanar o problema.

Um dos casos relatados é o de Maria da Penha, de 75 anos, que faleceu no ultimo dia 16 de maio após cinco dias de espera na UPA de São Gonçalo, mesmo com decisões judiciais favoráveis à transferência. Ela morreu horas depois de ser transferida.

A defensoria menciona ainda que a Prefeitura do Rio, além de não expandir os leitos, como determinado judicialmente desde 2014 desativou, nos últimos meses, 34 leitos de terapia intensiva nos Hospitais Municipais Pedro II e Albert Schweitzer.

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria Municipal de Saúde respondeuque desconhece o levantamento da defensoria, mas afiram que no município do Rio há 1.737 leitos de UTI. Desses, 735 são municipais, 676 federais e 326 estão na rede estadual.  A secretaria argumenta ainda que os números estão de acordo com o que preconiza o Ministério da Saúde.

Segundo a nota, não há deficit absoluto de leitos, apenas em situações relativas de demanda de leitos específicos, como o caso de portadores de doenças crônicas terminais, como o câncer, que não encontram leitos nas unidades de alta complexidade, que são de competência do estado e da União, e acabam acolhidas na rede municipal.

A Secretaria Estadual de Saúde e o Ministério da Saúde não responderam ao pedido de posicionamento.

Editado por: Juca Guimarães/ Radioagência Nacional
Conteúdo originalmente publicado em: Radioagência Nacional

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