Articulação

Juristas debatem criação de frente contra conservadorismo no sistema de justiça

Profissionais do Direito estudam criar uma associação de caráter nacional para defesa da democracia

Em protesto no Rio de Janeiro, manifestante denuncia seletividade do Judiciário
Em protesto no Rio de Janeiro, manifestante denuncia seletividade do Judiciário | Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

Advogados, juízes, defensores públicos e promotores de justiça contra o golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff se articulam para criar uma associação nacional de juristas pela democracia. Nesta sexta-feira (22), a categoria se reúne em São Paulo (SP) para debater o sistema de justiça brasileiro.

O advogado paulista Ney Strozake avalia que o Poder Judiciário teve papel decisivo no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff no ano passado. Por isso, o objetivo da nova entidade é reunir profissionais progressistas de todo o país para fazer frente ao conservadorismo no setor.

Para ele, a iniciativa é inédita: "Até hoje nunca teve uma experiência como essa no Brasil, uma associação de juristas com a intenção de fazer o debate do poder judiciário e da democracia. A Ordem dos Advogados [do Brasil, a OAB], apenas a título de exemplo, no golpe de 1964 foi favorável ao golpe; e em 2016, ela também foi favorável ao golpe".

Já o maranhense Eduardo Correa, advogado sindical e professor universitário, aponta que a entidade vai ter uma atuação importante na manutenção dos direitos conquistados na Constituição Federal de 1988.

"Estamos vivendo no Brasil um processo diluição e de derretimento de todas as conquistas que foram obtidas em décadas de luta. Então, por isso, nós percebemos  a necessidade de congregar o máximo possível de defensores do sistema de direito e de justiça que se pretendam a ser combatentes dessa defesa da democracia", disse.

Correa também cita a necessidade de uma associação que possa se pronunciar livremente em casos polêmicos, em que entidades representativas das categorias tem se omitido. Um exemplo é o episódio de Rafael Braga, único preso no contexto das manifestações de junho de 2013. A OAB, por exemplo, não se pronunciou sobre o caso do ex-catador de materiais recicláveis. A prisão de Braga, que conseguiu no início deste mês a transferência para regime domiciliar, é criticada por movimento sociais, que consideram o caso um exemplo de seletividade penal.

"A Associação de Juristas pela Democracia busca ocupar um espaço bem mais amplo até que o espaço que seria de atuação da OAB. A associação tende a avançar em algumas questões que, às vezes, as outras entidades não teriam essa capilaridade, essa difusão para poder chegar nessas situações conflituosas", avaliou o advogado.

Os juristas se reúnem na capital paulista até o próximo sábado (23).

Editado por: Vanessa Martina Silva

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