Ivone Borges Brisola teve certo medo ao ser convidada a gravar o vídeo de encerramento do 73º dia da Vigília Resistência Camponesa. Mas aceitou falar em nome das mais de 300 pessoas reunidas ali, na última segunda-feira (9), às margens da BR-277, em Cascavel, no Paraná.
Naquele dia, a concentração de camponesas e camponeses na região oeste do estado teve apelo de apoio às mulheres Sem Terra que estavam mobilizadas em Brasília durante o 1º Encontro Nacional das Mulheres Sem Terra.
Mesmo apreensiva, a camponesa de 42 anos deu conta do recado. “Hoje é mais um dia de luta, e lembramos a importância de nós, mulheres, estarmos lado a lado das outras pessoas na luta”, disse Ivone, pouco antes de gravar o vídeo compartilhado na página da Vigília nas redes sociais. Talvez o fato de mais uma entre tantas mulheres titubear em aceitar ser porta voz seja ainda um fato revelador do porquê o Dia Internacional da Mulher ainda seja de muita luta.
Há cinco anos, Ivone vive no acampamento Sebastião Camargo, em São Miguel do Iguaçu. Mas a primeira vez em que conheceu um acampamento foi aos seis anos de idade, quando, com seu pai, ocupou uma área no município de Marmeleiro, na região sudoeste do Paraná.
Ivone e outras tantas mulheres engrossam diariamente a Vigília Resistência Camponesa: por Terra, Vida e Dignidade, que pede o fim da violência no campo e dos despejos das famílias sem terra no Paraná. A mobilização de caráter permanente teve início no dia 28 de dezembro de 2019. Hoje, representa a luta das camponesas e camponeses de todo o estado.