MOVIMENTO

MST inaugura centro de produção agroecológica em lavoura destruída por usineiros

Acampamento existe desde 2015, formado por 50 famílias que vivem do cultivo da terra

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Acampamento existe desde 2015, formado por 50 famílias que vivem do cultivo da terra | Crédito: Foto: Alan Bruno Ferreira | MST-PR

Na tarde de sábado (4), um dia após terem lavouras destruídas por um grupo de homens armados, famílias sem-terra do acampamento Valdair Roque, de Quinta do Sol (PR), inauguraram no local o Centro de Produção Agroecológica Pinheiro Machado. Além das 50 famílias, estiveram no local moradores da cidade, religiosos, entidades e outros movimentos sociais.

O nome do espaço homenageia o professor Luiz Carlos Pinheiro Machado, que faleceu na quinta-feira (2), aos 91 anos. Na área, com cerca de 1 alqueire (24 mil metros quadrados), os camponeses plantaram pés de banana e utilizaram plantadeiras manuais para semear feijão crioulo. Segundo a coordenação da comunidade, a continuidade da produção agroecológica será uma ação coletiva e permanente das famílias e servirá para garantir o autossustento e somar nas ações de solidariedade na região.

A Fazenda Catarina, onde está localizada a comunidade, é de propriedade da Usina Sabarálcool, que acumula grande passivo na Justiça, com 964 ações trabalhistas somente na Comarca de Campo Mourão. O descumprimento da função social das relações de trabalho levou o Incra a manifestar interesse na área para destinação à reforma agrária. Existe ainda recomendação do Ministério Público Federal desde 2018 para que o Incra intervenha junto a esse conjunto de ações e execuções trabalhistas para adquirir e destinar a famílias acampadas.

“A nossa reivindicação é que o juiz trabalhista autorize o Incra a fazer o assentamento e a União pague as ações trabalhistas dos trabalhadores”, diz José Damasceno, da direção estadual do MST. No ataque ocorrido na sexta-feira (3), pelo menos 14 homens foram até o local, entre eles um dos proprietários da área, Víctor Vicari Rezende, e capangas armados – alguns encapuzados, segundo relatos de moradores da comunidade

Editado por: Gabriel Carriconde
Grupos de Trabalho da APUFPR

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