DENÚNCIA

Ameaçada de morte e sem respostas do governo federal, Talíria Petrone recorre à ONU

Segundo a parlamentar, a busca pela instituição é um apelo com o objetivo de dar visibilidade internacional ao caso

Há mais de dois meses, Talíria Petrone (PSOL) convive com incertezas sobre ameaças de morte interceptadas na deep web
Há mais de dois meses, Talíria Petrone (PSOL) convive com incertezas sobre ameaças de morte interceptadas na deep web | Crédito: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

A deputada federal Talíria Petrone (Psol) acionou a Organização das Nações Unidas (ONU) após sofrer novas ameaças de morte. A denúncia foi enviada no último dia 25 de setembro para três relatoras da ONU. Na carta, a parlamentar pede que a instituição cobre explicações do governo brasileiro sobre o seu caso e o assassinato de Marielle Franco, além de solicitar um plano de proteção para mulheres vítimas de violência política no Brasil.

Segundo a deputada explicou ao Brasil de Fato, a busca pela ONU tem o objetivo de dar visibilidade internacional ao caso. Para ela, a intimidação é um ataque direto à democracia e o Estado brasileiro não tem dado respostas diante das ameaças que tem recebido.

"Nós acionamos a ONU porque, principalmente enquanto deputada federal, foram diversas ameaças, sendo que em dois momentos foram ameaças a minha vida. Nós tivemos quaisquer respostas do Estado brasileiro. Assim como o Estado não devolveu para o povo brasileiro uma resposta sobre a execução política de Marielle Franco. Mais de dois anos depois e não sabemos quem mandou matar Marielle", explicou.

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O documento foi endereçado à relatora da ONU sobre execuções sumárias, Agnes Callamard; à relatora sobre racismo, intolerância e xenofobia, E. Tendayi e à relatora de direitos humanos, Mary Lawlor. Na carta, a parlamentar destaca que no ano passado encaminhou uma denúncia à ONU informando o crescimento da violência estatal no Brasil e sobre como “as ameaças dirigidas a ela eram parte deste meio violento”. 

"Isso tudo é parte de um quadro de violência política que avança pelo Brasil e esse é um questionamento que a gente faz também à ONU. Para que se atentem à violência que acomete mulheres negras, que ousam ocupar espaços de poder", acrescentou.

Talíria relata que as ameaças de morte começaram em 2016, durante o seu primeiro mandato como vereadora da cidade de Niterói, na região metropolitana do Rio. Segundo a parlamentar, em junho deste ano, dias após o nascimento de sua filha, ela recebeu a notificação de que o “Disque Denúncia” estava com cinco gravações que planejavam o seu assassinato. De acordo com a carta, não há informação sobre o andamento das investigações até o momento.

A ONU não tem um prazo para responder a denúncia. Caso a organização acate ao pedido, não haverá um trâmite processual, mas os relatores podem se pronunciar a respeito das ameaças e gerar uma pressão política do alto comissariado da organização sobre o Brasil.

Editado por: Mariana Pitasse e Rodrigo Chagas

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