Imunização desigual

Registro de comunidades tradicionais do governo é incompleto e prejudica imunização

Levantamento aponta que existem pelo menos 3,5 vezes mais povos do que os listados pela gestão de Bolsonaro

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Plano de vacinação do governo entre quilombolas e indígenas já começou, mas não abrange a totalidade das comunidades tradicionais do Brasil. | Crédito: Tarso Sarraf / AFP

O número de comunidades tradicionais identificadas pelo governo no Brasil está longe de refletir a realidade e a falta de dados pode prejudicar a abrangência da vacinação contra o coronavírus.

Levantamento inédito revelou que existem, pelo menos, 3,5 vezes mais povos do que o oficializado pelo poder público, somente na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Em mapeamento de campo, os pesquisadores computaram mais 2,3 mil grupos na região.

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Nessa mesma região, a base oficial de dados contabiliza apenas 667 comunidades. Os estudiosos alertam que o cenário se repete em outras partes do país.

O estudo foi feito pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia e pelo Instituto Sociedade, População e Natureza, em parceria com a Rede Cerrado e financiamento do Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF), ligado ao Fundo Global para o Meio Ambiente e ao Banco Mundial.

Segundo as organizações, a própria lei que estabelece ações de proteção aos povos tradicionais contra a covid-19 é excludente. A norma determina que indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais ribeirinhas estão entre os públicos prioritários de vacinação 

Com isso, a lei deixa de fora outras 25 comunidades que, inclusive, estão representadas no Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais. Há algumas semanas, o Ministério Público Federal enviou questionamentos ao governo sobre critérios de escolha dos grupos.

Clique aqui e saiba mais sobre o projeto de mapeamento das comunidades e povos tradicionais.

Editado por: Mauro Ramos

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