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Jornal Brasil Atual Edição da Tarde | 2 de março de 2021

Organizações indígenas denunciam violações de direitos humanos sob governo Bolsonaro no Conselho de Direitos Humanos

Organizações indígenas brasileiras participam da 46ª sessão ordinária do Conselho de Direitos Humanos da ONU. O evento teve início na semana passada e se estende até o dia 23 de março, totalizando cinco encontros. Um dos temas das reuniões é a situação dos povos indígenas no país durante a pandemia de covid-19.

Representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) participaram na última sexta-feira da abertura da sessão inaugural do Conselho de Direitos Humanos. 

De acordo com Flávio Vicente Machado, missionário e integrante da equipe de incidência internacional do Cimi, o Conselho de Direitos Humanos é um espaço importante de debate e troca de ideias.

Ainda segundo ele, muitas autoridades e especialistas internacionais estão interessados no que o Brasil tem feito para proteger seus povos tradicionais.

Até o final do evento, estão programados mais quatro encontros onde serão abordados temas que a ONU considera fundamentais aos direitos sociais, vida e futuro da sociedade. 

De acordo com Flávio, o primeiro tema abordado no conselho foi a violação dos direitos humanos entre os povos indígenas na pandemia e os desmandos do governo federal em relação ao problema.

No evento, as organizações demonstraram à comunidade internacional que o Brasil não tem adotado medidas eficazes no enfrentamento à pandemia da covid-19.

Também na semana passada, o Cimi comemorou uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reafirmou a posse permanente do povo Guarani-Kaiowá sobre a Terra Indígena Sombrerito, localizada no Mato Grosso do Sul.

Rafael Modesto, assessor jurídico do Cimi, apontou que essa é uma importante vitória para o povo Guarani-Kaiowá, já que legitima a ocupação indígena e reforça o texto da Constituição. A decisão do STF também contribui para a retomada dos territórios ocupados por não-indígenas. 

Segundo Modesto, a ganância sobre as terras indígenas continua muito presente em setores de exploração comercial. 

Para Rafael, a decisão do STF assegura o futuro das próximas gerações do povo Guarani-Kaiowá, em especial a comunidade Sombrerito, e também a manutenção de suas tradições e cultura.

Agora, garantir a posse definitiva da terra indígena está nas mãos do presidente Jair Bolsonaro. De acordo com o assessor do Cimi, com o referendo do STF em relação à licitude da ocupação tradicional, o presidente deve homologar a terra indígena Sombrerito. 

Caso não faça a demarcação, o presidente poderá ser questionado por seus atos, na Justiça.

Confira todos os destaques do dia e o jornal completo no áudio acima. 

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O Jornal Brasil Atual Edição da Tarde é uma produção conjunta das rádios Brasil de Fato e Brasil Atual. O programa vai ao ar de segunda a sexta das 17h às 18h30, na frequência da Rádio Brasil Atual na Grande São Paulo (98.9 MHz) e pela Rádio Brasil de Fato (online). Também é possível ouvir pelos aplicativos das emissoras: Brasil de Fato e Rádio Brasil Atual.

 

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