Estado laico?

Ao defender igrejas abertas, AGU cita 3 trechos da Bíblia e nenhum da Constituição

Pastor presbiteriano, André Mendonça falou após o voto do relator Gilmar Mendes, em julgamento no plenário do STF

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Pertencente aos quadros da AGU desde 2000, André Mendonça já foi apontado por Bolsonaro como alguém "terrivelmente evangélico"
Pertencente aos quadros da AGU desde 2000, André Mendonça já foi apontado por Bolsonaro como alguém “terrivelmente evangélico” | Crédito: Agência Brasil

O advogado-geral da União (AGU) André Mendonça citou três trechos da Bíblia e nenhum da Constituição Federal ao se posicionar, nesta quarta-feira (7), em defesa da autorização para atividades religiosas presenciais mesmo durante a pandemia. 

A AGU foi ouvida como entidade interessada em julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) e abordou o tema com base no argumento da liberdade de crença. 

Pastor presbiteriano e ex-ministro da Justiça, Mendonça foi descrito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como "terrivelmente evangélico".

O primeiro trecho da Bíblia citado por ele durante sessão do STF foi do livro Atos dos Apóstolos, capítulo 2. 

"Registra-se ali, após Jesus confiar ao apóstolo Pedro ser a pedra fundamental da sua igreja, que os cristãos, no capítulo 2, diariamente perseveravam no templo, partiam o pão de casa em casa, tomavam suas refeições em conjunto, louvando a Deus e contando com a simpatia do povo", disse Mendonça.

Em seguida, emendou o capítulo 5, lembrando cristãos que eram "recolhidos à prisão" – criticando o impedimento dos cultos presenciais por prefeitos e governadores.

Por fim, o AGU citou o evangelho de Mateus: "Jesus Cristo, conforme relata São Mateus, disse: 'Por onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estarei em nome deles'."

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A Constituição Federal de 1988 foi citada apenas tangencialmente, sem mencionar trechos específicos. André Mendonça disse que as medidas de fechamento de templos são autoritárias e arbitrárias, e que, ao fazê-lo, os governantes estariam "rasgando a Constituição".

"Deus tenha piedade de nós", concluiu o AGU.

Segundo pastores ouvidos esta semana pelo Brasil de Fato, todo rito litúrgico pode ser feito de forma remota, online, sem nenhum prejuízo à comunhão ou à prática religiosa. A prioridade, segundo os entrevistados, deveria ser a defesa da vida.

O Brasil é um Estado laico, conforme diferentes legislações, desde 1890, quando se consolidou a separação entre Estado e Igreja Católica.

O julgamento foi a plenário depois de uma decisão liminar do ministro Kassio Nunes, na semana passada, que proibiu prefeitos e governadores de vetarem a realização de cultos presenciais. A liminar foi derrubada, na segunda-feira (5), por Gilmar Mendes, que se baseou em uma decisão de 2020 do STF que atribuiu aos estados e municípios a edição de medidas restritivas para prevenir a disseminação do coronavírus.

Editado por: Poliana Dallabrida

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