Quando você abre uma lata de molho de tomate, uma lata de sardinha ou de ervilha, imagina que Napoleão Bonaparte tem algo a ver com isso?
Pois é… Se não fosse ele, provavelmente outra pessoa pensaria mais tarde em inventar meios de conservar alimentos por muito tempo, mas foi ele que deu o pontapé inicial para essa invenção.
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Aconteceu depois da derrota do exército francês, na Rússia, em que o inverno foi fator determinante e a fome também, pois no clima gelado, a população russa se refugiou longe, levando os alimentos. Sem ter o que comer, foi derrotado pela fome e pelo frio.
Pensando em evitar que seu exército passasse por isso de novo, Napoleão resolveu premiar quem inventasse um meio de conservar alimentos por longo tempo, e surgiram os alimentos enlatados. Isso foi uma revolução enorme.
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Depois, durante a guerra com os ingleses, que dominavam os mares, sem possibilidade de receber açúcar das Américas, o prêmio era para quem descobrisse uma técnica de produção de açúcar sem que fosse da cana, planta que só dá em clima tropical, e surgiu o açúcar de beterraba.
Um descendente dele, Napoleão III, repetiu um feito desses: em 1869, às vésperas da guerra Franco-Prussiana, havia escassez de manteiga, o que pra nós brasileiros não seria uma tragédia, mas para os franceses era, e esse Napoleão decidiu premiar quem inventasse algo capaz de substituir a manteiga e pudesse ser conservado em navios.
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Assim surgiu a margarina.
Bom, hoje em dia o açúcar é evitado por muita gente, e margarina também. Mas não é todo mundo que tem grana pra comprar manteiga.
Enlatados também são criticados. Ainda mais que passaram a colocar neles conservantes que fazem mal à saúde.
Enfim, são criticados mas continuam sendo consumidos.
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Então, quando você estiver abrindo uma lata de molho de tomate para pôr no macarrão, ou comendo um pãozinho com margarina, lembre-se: tudo isso começou com Napoleão Bonaparte.
Os franceses o admiravam muito, e quando morreu, em maio de 1821, dezenas de internos em hospícios franceses diziam ser Napoleão Bonaparte, daí surgiu a expressão “Napoleão de Hospício”. Quem diria que duzentos anos depois, no Brasil haveria milhões desse tipo de “Napoleão”!? Alguns até ocupam altos cargos na República! Qual é o maioral deles?
*Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.