EDITORIAL 235 PARANÁ

Editorial | O banqueiro, o governo e a cara da elite brasileira

Embora se incomodem com a truculência do presidente, a elite financeira e empresarial resiste em tirá-lo do poder

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Dono do BTG Pactual foi preso em 2015, acusado de interferir em investigações da Operação Lava Jato | Crédito: Luiz Prado/ LUZ – WikiMedia Commons

O áudio vazado de uma palestra do dono do banco BTG Pactual, André Esteves, para investidores financeiros é chocante.

Ao lado de uma análise superficial do momento econômico, do reconhecimento de participação no golpe de 2016, a fala de Menezes reforçou a submissão do Congresso e governo ao mercado financeiro. Esteves elogiou a política de austeridade fiscal de Guedes, incluindo o corte em setores fundamentais, caso da ciência e tecnologia.

Aqui temos um problema central diante do governo Bolsonaro. Embora se incomode com a truculência do presidente, a elite financeira e empresarial resiste em tirá-lo do poder. A negligência diante das mortes, do desemprego e da fome, a ausência de políticas públicas, não parecem ser grandes problemas para banqueiros, mídia, governadores, integrantes do Judiciário e parte dos parlamentares – tampouco razões suficientes para o impeachment.

Agora, com a conclusão do relatório da CPI da Covid apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR), o procurador Augusto Aras engavetará, fatiará ou encaminhará as denúncias contra o presidente Bolsonaro, duas empresas mais 78 indiciados? Os trabalhadores não suportam mais a postura genocida do governo. Mas as elites serão responsabilizadas num futuro próximo por tamanha conveniência.

 

Editado por: Pedro Carrano
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