MORADIA DIGNA

Comunidade sofre com problemas no esgoto e na estrutura das casas

Área de ocupação Harmonia vive descaso do poder público

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Resultado dos problemas no saneamento no interior da sua casa. Abaixo do barraco, há um acúmulo água parada e dejetos | Crédito: Giorgia Prates

Há cerca de dois meses, a área de ocupação Harmonia, na Cidade Industrial de Curitiba, virou uma dura notícia por conta de incêndio que destruiu casas de onze famílias, situação também vista no bairro Parolin e mostrada pela reportagem do Brasil de Fato como resultado da falta de moradia adequada e ausência de política de regularização fundiária.

Outros problemas desta ocupação de mais de dez anos estavam encobertos pelo tempo e pelo descaso dos órgãos públicos. O mais grave refere-se ao saneamento, quando dejetos têm voltado pela tubulação de esgoto e afetado, no mínimo, dez famílias na rua Dra. Elisa Checchia Noronha.

A moradora Camila Cruz de Oliveira, casada e mãe de dois filhos, mostra o resultado dos problemas no saneamento no interior da sua casa. Abaixo do barraco, há um acúmulo de água parada e dejetos. Com a chuva de hoje (24), em Curitiba, o bueiro voltou a encher e a moradora relatou dificuldade para sair de casa e buscar os filhos na escola.

No final de semana passado, moradores fizeram um mutirão no sentido de permitir que o esgoto tenha melhor vazão, Camila relata. O local é uma baixada, localizada ao lado do rio Barigui, em uma comunidade marcada pela aglomeração de casas em morros no entorno, o que pode sobrecarregar a drenagem.

A comunidade não tem associação de moradores, afirma a moradora, e tampouco respostas e atenção do poder público até o momento. Regularização fundiária, problemas na coleta de lixo e falta de materiais para moradia digna, gerando mais riscos de incêndios, são rapidamente relatados na área -, até mesmo pelas crianças com quem a reportagem conversa.

A enchente mais recente ocorreu há três anos, quando Camila relata que perdeu os móveis da casa. Além disso, a casa, com o acúmulo de água embaixo, está vergando e se decompondo. “Morro de medo que a casa caia ou que meus filhos peguem doença como leptospirose”, diz. O marido de Camila, no atual momento do país, vive de trabalho informal como pintor.

Procurada pela reportagem do Brasil de Fato Paraná, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) comprometeu-se a enviar um fiscal ao bairro para verificar a situação. A suspeita é de que pode haver mistura entre a galeria de água pluvial que realiza a drenagem, de responsabilidade da prefeitura, e a rede de esgoto, instalada pela Sanepar. Até o fechamento da edição, a reportagem não conseguiu falar com a Secretaria Municipal de Obras Públicas (SMOP).

Editado por: Fredi Vasconcelos
Sindicalizadas/os no SISMUC

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