FAVELA EM FOCO

No Morro da Babilônia (RJ), projeto oferece reforço escolar e alimentação para crianças

A inciativa organizada por grupo de capoeira sediado no Rio se mantém através de campanha de doação online

No audio source provided.
“A gente criou uma forma de comunicação aqui através dos muros da comunidade”, diz uma das organizadoras do projeto | Crédito: Grupo Ngoma Capoeira Angola

O projeto “Babilônia contra covid” mostra na prática que a arte e a cultura podem e devem andar juntas com a educação escolar. A iniciativa do grupo “Ngoma Capoeira Angola” teve início em 2020, no Morro da Babilônia, bairro do Leme, na zona sul do Rio de Janeiro, e oferece aulas de reforço escolar para crianças e adolescentes.

Inicialmente, o projeto conseguiu financiamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), através de uma campanha lançada pela entidade que tinha por objetivo apoiar ações de enfrentamento à covid-19 nas favelas do Rio. Com o apoio, foi possível oferecer além de aulas de reforço, alimentação para os alunos e kit higiene para as famílias. Porém, a parceria com a Fiocruz teve fim no mês de abril deste ano e desde então, o grupo Ngoma tem mantido o projeto por meio de uma campanha online.

Leia mais: No subúrbio do Rio, moradores criam biblioteca popular para levar arte e cultura para a região

A contramestre de capoeira, Tatiana Brandão, é coordenadora do projeto e conta em entrevista ao programa Central do Brasil, uma parceria da rede TVT com o Brasil de Fato, que os estudantes já procuravam a academia de capoeira para pedir ajuda com os trabalhos da escola mesmo antes do projeto ter início.

“As crianças vinham aqui para o espaço e aí traziam o dever e a gente buscava saber se estavam conseguindo buscar as apostilas nas escolas. E aí, a gente começou a ajudar um vizinho aqui, um vizinho ali. A gente pegava a criançada tanto para fazer capoeira, depois para estudar um pouco”, diz a capoeirista.

 

 

Tatiana também explica que agora o grupo “Ngoma Capoeira Angola” está focado em conseguir continuar com o projeto, pois acredita na importância da continuidade dos estudos para os alunos da iniciativa. O grupo tenta mostrar a própria relevância para a comunidade.

“As crianças de favela, sobretudo as negras, têm uma defasagem imensa comparado a crianças economicamente mais favorecidas […] Isso já é motivo da gente ter um movimento social, uma organização, visto as falhas que o Estado insiste em ter. E a gente deveria ter isso em todas as comunidades”, explica Tatiana.

O projeto “Babilônia contra covid” tem como sede a academia de capoeira do grupo Ngoma, que serve como um local de acolhimento na comunidade. Joanna Giglio é capoeirista e merendeira da iniciativa, e conta que, além do apoio da Fiocruz, o grupo também conseguiu atendimento psicossocial da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para as famílias, além de desenvolver atividades de educação alimentar com a Favela Orgânica para as crianças.

“A gente se organizou para receber quem não pudesse fazer o atendimento [psicossocial] em casa, às vezes é uma coisa delicada. E a gente criou uma forma de comunicação aqui através dos muros da comunidade. A gente fez algumas atividades de arte com muralismo informativo, falando sobre a importância da vacina. E com a parceria da favela orgânica a gente também desenvolveu receitas de baixo custo”, conta Giglio.

O grupo “Ngoma Capoeira Angola” quer dar continuidade não só as aulas de reforço escolar, mas também a alimentação dos alunos e a entrega de kit higiene para as famílias. Qualquer pessoa pode doar para a campanha do projeto, para mais informações é só acessar as redes sociais do coletivo.

Editado por: Mariana Pitasse

|

Newsletter