Solidariedade

Cuba rejeita intervenção estrangeira no Haiti: comunidade internacional tem ‘dívida moral’ com país

Diplomacia apelou para que a Comunidade do Caribe (Caricom) posicione-se a a favor de uma estratégia de desenvolvimento

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Barracas abrigam cidadãos que tiveram de deixar suas casas por causa da violência das gangues em Porto Príncipe, capital do Haiti | Crédito: Richard PIERRIN / AFP – 30/8/2023

O Governo de Cuba rejeitou nesta quinta-feira (5) a intervenção militar estrangeira aprovada pelas Nações Unidas contra o Haiti, afirmando que o país caribenho precisa de “melhor e mais assistência e cooperação internacional”.

A declaração de Cuba ocorre depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou, nesta segunda-feira (2), uma resolução autorizando o envio do que chamou de Missão Multinacional de Apoio à Segurança no Haiti, “cujas tropas poderão usar a força dentro do seu âmbito de ação”.

“A principal tarefa pendente da comunidade internacional com o Haiti não é enviar um contingente militar”, argumenta o país caribenho, afirmando que nesse tipo de intervenção é comum que a soberania do país não seja respeitada.  

O comunicado do Ministério das Relações Exteriores cubano recorda que o Haiti “sofre de uma grave situação humanitária e de segurança, que agrava a instabilidade social e a pobreza" por causa dos "séculos de colonialismo e neocolonialismo, subdesenvolvimento e intervenção estrangeira”. 

Assim, expressa que “a comunidade internacional tem uma enorme dívida moral” com o Haiti, um país que, segundo Havana, “precisa de mais recursos financeiros para o seu desenvolvimento e reconstrução".

No lugar da intervenção militar estrangeira, Cuba defende que o Haiti tenha "uma solução pacífica e sustentável para os enormes desafios que enfrenta, com base no pleno respeito pela sua soberania”.

O país caribenho apelou para que a Comunidade do Caribe (Caricom) posicione-se a favor de uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo no Haiti.

A chancelaria cubana ainda exaltou a história do Haiti, como "o primeiro país latino-americano e caribenho a revoltar-se contra o colonialismo europeu, a alcançar a sua independência e a abolir a escravatura no Hemisfério Ocidental”.

As relações entre Havana e Porto Príncipe têm sido de cooperação, em especial na saúde pública. O Ministério das Relações Exteriores de Cuba mencionou que, desde 1988, tem mantido "uma brigada de profissionais e técnicos de saúde no Haiti, para apoiar incondicionalmente seu povo, inclusive durante o impacto de eventos meteorológicos e sísmicos, o surto de cólera e a pandemia de covid-19". 

(*) Com TeleSUR

Conteúdo originalmente publicado em: Opera Mundi

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