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Inflação segue baixa na Venezuela e fica em 1,2% em março a 3 meses das eleições

Presidente Nicolás Maduro comemora resultado, dizendo inflação menor foi esforço coletivo

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Os dados econômicos da Venezuela são diretamente impactados pelas sanções impostas pelos Estados Unidos às empresas venezuelanas | Crédito: Federico PARRA / AFP

O Banco Central da Venezuela divulgou nesta terça-feira (9) que a inflação mensal de março no país ficou em 1,2%. O dado repete o desempenho do mês anterior, quando também ficou em 1,2% e havia sido, até então, a inflação mais baixa dos últimos 12 anos.

Segundo o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a inflação acumulada de 2024 está em 4,1% nos quatro primeiros meses do ano. Durante a transmissão do seu programa Con Maduro + na segunda-feira, ele comemorou o resultado. “São indicadores econômicos positivos, sólidos, que conseguimos com a coragem, com o nosso próprio esforço, com sanções, porque as sanções nunca foram levantadas, pelo contrário, ameaçam com mais sanções”, disse.

Ele afirmou que o trabalho de redução da inflação foi um esforço coletivo que mostra uma recuperação econômica da Venezuela. 

De acordo com o Banco Central, a inflação do mês foi puxada pelos setores da saúde (1,6%), roupas e calçados, alimentos e bebidas não alcoólicas e bens e serviços (1,3%)

Os resultados positivos serão usados pelo governo faltando pouco mais de três meses para as eleições, marcadas para 28 de julho. Desde o começo do ano, Maduro tem falado sobre o crescimento de 5% do PIB em 2023 e a meta de baixar a inflação. Apesar de o Banco Central não divulgar a inflação acumulada em 12 meses, institutos privados de oposição estimam que a inflação anualizada esteja em 89%.

A Venezuela chegou a registrar em janeiro de 2019 uma taxa mensal de 196,6%, a mais alta da série histórica iniciada em 2007. Maduro disse em janeiro que a Venezuela “consolidará sua vitória definitiva contra a inflação voltando, com a ajuda de Deus, à inflação anual de dois dígitos”.

Os dados econômicos da Venezuela são diretamente impactados pelas sanções impostas pelos Estados Unidos às empresas venezuelanas. A principal delas é contra as petroleiras. Em outubro de 2023, depois de governo e oposição assinarem um acordo em Barbados definindo como seriam as eleições de 2024, os Estados Unidos derrubaram de forma temporária algumas sanções, com licenças especiais.

A principal delas é a licença 44, que fala justamente sobre a permissão para a venda de petróleo, o principal produto exportado pela Venezuela. A licença terá vencimento em 18 de abril e pode mudar o ritmo de crescimento econômico do país neste ano. 

Depois que a Justiça da Venezuela confirmou a inabilitação de María Corina Machado, em janeiro de 2024, os Estados Unidos passaram a ameaçar a retomada das sanções. Em publicação na rede social X, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Matthew Miller, disse que o país começou a rever os alívios à Venezuela depois do anúncio do TSJ.

Ainda de acordo com o governo estadunidense, os alívios ao setor de petróleo de gás na Venezuela só serão renovados em abril se o governo venezuelano “cumprir com seus acordos”. 

O acordo de Barbados determinava que as eleições seriam realizadas no segundo semestre e que contaria com missões de observação da União Europeia, do Centro Carter e da Organização das Nações Unidas (ONU). Além de anunciar a data das eleições, o CNE convidou a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), Comunidade do Caribe (Caricom), União Africana, União Europeia, especialistas da ONU, Brics e o Centro Carter dos Estados Unidos para observar as eleições de 2024 no país.

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