LETALIDADE POLICIAL

Polícia de SP matou duas pessoas por dia no primeiro trimestre de 2024, 138% a mais que em 2023

Mortes por PMs em serviço soltaram de 75 nos primeiros três meses de 2023 para 179 no mesmo período de 2024

Manifestante segura placa com crítica ao governador Tarcísio de Freitas | Crédito: Lucas Weber

O estado de São Paulo registrou aumento de 138% no número de mortes provocadas por policiais militares em serviço no primeiro trimestre de 2024, na gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos). 

Conforme números oficiais do governo paulista divulgados nesta segunda-feira (29), o total de casos saltou de 75 nos primeiros três meses de 2023 para 179 no mesmo período de 2024. No caso da Polícia Civil, os números foram de 9 mortes em 2023 e 7 em 2024.

Equivalente a a duas pessoas mortas por dia no primeiro trimestre deste ano, o registro de mortes por policiais militares é o maior do estado desde 2020, quando 218 vítimas foram contabilizadas. Em 2022, houve 74 casos.

A operações Escudo e Verão, conduzidas pela PM-SP na Baixada Santista, contribuíram para o aumento das mortes causadas pela polícia.

Denúncias de tortura e execuções sumárias 

Moradores da Baixada Santista, entidades de direitos humanos, movimentos sociais e a Ouvidoria da PM apontam que as operações foram marcadas por torturas, execuções sumárias e adulteração dos locais de morte.

O Executivo estadual foi contestado pelas mesma entidades por sempre explicar as mortes como decorrentes de "confrontos" com criminosos. 

Um protesto que pediu o "fim da violência e do racismo policial" ocorreu no dia 18 e março, quando as mortes registradas somavam 48 ao longo das operações Escudo e Verão da PM de São Paulo.

"Tô nem aí", disse governador 

O aumento da violência policial resultou em uma denúncia contra o governador e o secretário estadual de Segurança Pública, Guilheme Derrite, que é ex-PM, no Tribunal Penal Internacional (TPI) em Haia.

Outra reclamação a respeito do mesmo problema foi encaminhada ao Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) pelas organizações Conectas Direitos Humanos e Comissão Arns.

Quando questionado sobre o encaminhamento destas denúncias à ONU, o governador Tarcísio ironizou: "pode ir na Liga da Justiça, não estou nem aí".

Culpa é dos "criminosos", diz pasta de Derrite

O Brasil de Fato perguntou à Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) qual a justificativa para o crescimento da violência e quais ações a pasta tem implementado para reduzir a letalidade policial.

Em nota, a SSP-SP informou que as forças de segurança do estado são "instituições legalistas" e que trabalha na implementação de políticas públicos voltadas a reduzir a letalidade policial.

A pasta comandada por Guilherme Derrite declarou que as mortes em intervenções policiais são consequência da "reação de criminosos" que atuam "colocando em risco a vida dos policiais".

"Todas as ocorrências são rigorosamente investigadas pelas polícias Civil e Militar, com o acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário. As Corregedorias também estão à disposição para apurar qualquer denúncia contra seus agentes", disse em nota a SPP-SP.

Editado por: Nicolau Soares

|

Newsletter