Olho vivo

Com governo exposto por violência policial, Tarcísio de Freitas recua e defende que PMs usem câmeras corporais

'É só bravata', diz deputado Paulo Fiorilo (PT); para líder do movimento negro, Freitas deve ser 'impedido de governar'

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Ordem da gestão Tarcísio que prevê que policiais militares possam investigar crimes de menor potencial ofensivo gerou críticas de organizações de direitos humanos e policiais civis | Crédito: Marcelo S. Camargo/Governo do Estado de SP

Em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que recuou de sua posição a respeito do uso de câmeras corporais por policiais militares e que, agora, defende a expansão do programa.

A mudança no posicionamento do bolsonarista vem após a repercussão nacional de episódios de violência policial no estado. Entre eles, o arremesso de um homem do alto de uma ponte e a execução de um jovem em uma loja do Oxxo na cidade de São Paulo. 

Além desses, nesta quinta, a agressão de agentes a uma idosa em Barueri (SP) também causou comoção e reforçou a cobrança de medidas para frear os abusos cometidos por policiais.     

“Você pega a questão das câmeras: eu era uma pessoa que estava completamente errada nessa questão. Eu tinha visão equivocada, fruto da experiência pretérita que tive. Não tem nada a ver com a questão da segurança pública. Hoje, estou completamente convencido que é um instrumento de proteção da sociedade e do policial. E nós vamos não apenas manter, mas ampliar o programa. E tentar trazer o que tem de melhor em termos de tecnologia”, explicou Freitas.

A declaração não surpreendeu o deputado estadual Paulo Fiorilo (PT), que classificou a nova posição do governador como “factoide”. “Tarcísio de Freitas governa o estado mais importante do país e não fez um único estudo técnico sobre o uso de câmeras? Não houve consulta a especialistas? Se ele quer que levemos a sério a disposição de mudar a sua política de segurança pública, tem que mudar a orientação de matar que passa à corporação. É só bravata”, finaliza o parlamentar.

Para Douglas Belchior, fundador da Uneafro e diretor do Instituto Peregun, “a política do genocídio negro segue no Palácio dos Bandeirantes, não é um recuo do governador que mudará isso”, disse o ativista do movimento negro, que convocou um ato contra a violência policial em São Paulo, que acontecerá nesta quinta-feira, às 18h, no Theatro Municipal, na capital paulista.

Ainda de acordo com Belchior, “a demissão do (Guilherme) Derrite (secretário de Segurança Pública) é insuficiente porque não foi uma anomalia o que a aconteceu, não é uma mera distorção do sistema. Foi o contrato racial funcionando à sua máxima potência por determinação do governador. Por isso, o Tarcísio deve ser impedido de governar', defendeu.

Em sua coletiva, Freitas garantiu que Guilherme Derrite continuará à frente da Secretaria de Segurança Pública, pois o considera “estudioso”. O governador também garantiu que o comando da PM seguirá. "Se a diretriz do governo do estado não está chegando com clareza na ponta, ela precisa chegar. E cabe a mim fazer chegar."

Editado por: Geisa Marques

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