Com fantasias e adereços festivos a postos para mais um carnaval, a população de Belo Horizonte se prepara para a maior folia da cidade. Em 2025, a expectativa da Prefeitura de BH (PBH) é que a festa, que começou oficialmente no dia 15 de fevereiro, some, ao todo, 6 milhões de foliões e movimente aproximadamente R$ 1 bilhão na economia local.
Sucesso de público, em 2024, o carnaval de BH levou cerca de 5,5 milhões de pessoas às ruas, durante 23 dias. Ano passado, também foram gerados mais de 20 mil postos de trabalho e um retorno de R$ 20 milhões aos cofres públicos.
Neste ano, a expectativa é que mais de 560 bloquinhos desfilem pelas ruas da capital mineira, um aumento de 7% em relação ao ano passado, quando 536 cortejos foram ao encontro do público.
No site da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), os foliões podem acessar a programação completa da festa e montar o próprio roteiro, favoritando aqueles bloquinhos em que deseja ir. Para quem quer curtir com a família inteira, junto às crianças, há uma programação extensa de blocos infantis.
Blocos caricatos e escolas de samba
Tidos como uma das manifestações mais antigas do carnaval belo-horizontino, os Blocos Caricatos apresentam seus desfiles com marchinhas autorais, alegorias e fantasias diversificadas, na segunda-feira (3), na avenida dos Andradas, na Praça da Estação.
Em 2024, os Estivadores do Havaí venceram a competição com a apresentação Uma Noite No Museu.
Já as escolas de samba desfilam na segunda-feira (3) e na terça-feira (4), respectivamente com o Grupo Especial, formado por oito escolas, e o Grupo de Acesso, formado por cinco escolas. Diferentemente de onde ocorria tradicionalmente, o desfile também acontece, este ano, na avenida dos Andradas, na Praça da Estação, com entrada gratuita.
Em 2024, a Escola de Samba Estrela do Vale do Barreiro foi a grande campeã do Carnaval de Belo Horizonte.
Diversidade
Considerado uma das festas mais populares e aguardadas do Brasil, o carnaval é um movimento de resistência que respira a diversidade. Por isso, vários blocos de rua de Belo Horizonte utilizam a data para celebrar a pluralidade e para lutar por cada vez mais espaços e direitos na sociedade.
É o caso do Tapa de Mina, que surgiu em 2016, no Quilombo Manzo, com o objetivo de capacitar mulheres, por meio da percussão. Já o bloco Abalô-caxi, que surgiu no mesmo ano, pauta a representatividade da comunidade LGBTQIA+.
O bloco afro Angola Janga, criado em 2015, se dedica ao empoderamento negro, por meio de repertórios afrobrasileiros e lutas contra discriminações. O grupo carrega consigo a ancestralidade, se tornando um ambiente seguro e de protagonismo para o povo negro. Este ano, a iniciativa comemora 10 anos de existência e de luta.
O bloco Truck do Desejo, fundado em 2018, pauta o protagonismo de pessoas lésbicas, bissexuais, não-binárias, transmasculinos e travestis na capital mineira.
“A Truck defende sobretudo o direito à vida digna e ao pleno exercício da cidadania. Por meio de elementos da cultura LGBTQIA+, apresentamos em nossas construções, cujo ápice se dá em forma de cortejo carnavalesco, um discurso que destaca nosso desejo de viver”, explicou, ao Brasil de Fato MG, Lara Sousa, militante dos Direitos Humanos e co-fundadora do bloco.
A história do carnaval
O primeiro registro histórico de festividades de carnaval no município remonta aos tempos de fevereiro de 1897, quando, antes mesmo da inauguração da cidade, trabalhadores vestidos de mulheres desfilaram atrás de carroças, caminhando da praça da Liberdade até a avenida Afonso Pena, dando origem ao chamado corso.
Na ocasião, operários improvisaram um desfile em carroças, com os rostos pintados de carvão. O corso, portanto, ficou conhecido como pai dos blocos caricatos, uma manifestação cultural original de BH e que agora é reconhecida por lei.
Dois anos depois, surgiram as bandas carnavalescas, que se mantêm até hoje. Já na década de 30, se desenvolvem as batalhas de confete e a primeira escola de samba da cidade, a Pedreira Unida, criada na Pedreira Prado Lopes.
Na década seguinte, surgiram os blocos caricatos, manifestação herdeira do corso que se mantém até hoje na cidade. Também surgiu nos anos 1940 o primeiro bloco de rua que se tem registro em BH, o Leões da Lagoinha. Com o fim das atividades do grupo, em 1975, os foliões do Lagoinha fundaram a Banda Mole, a mais tradicional e ativa do carnaval do município até hoje.
Em decorrência de uma enchente, no ano de 1989, o carnaval foi cancelado pela prefeitura e posteriormente, Pimenta da Veiga, prefeito da época, não retomou a festa.
Em 2009, surgem propostas embrionárias da volta dos blocos de rua: Tico Tico Serra-Copo, Peixoto e Approach. Como reação, no fim do mesmo ano, o então prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, editou um decreto que proibia eventos de qualquer natureza na Praça da Estação, alegando “dificuldade em limitar o número de pessoas e garantir a segurança pública”.
Uma semana depois da promulgação do decreto, como movimentação política de reivindicação do espaço público, surge a “praia da estação”, reconhecida por reinventar e fazer reflorescer o carnaval de Belo Horizonte, de rua e de luta.