Em meio a especulações de que a ministra da Saúde Nísia Trindade será afastada do cargo, o presidente Lula esteve ao lado dela para o lançamento de um acordo para a produção em larga escala da primeira vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue.
O evento ocorreu no Palácio do Planalto, em Brasília na manhã desta terça-feira (25). Nenhuma das pessoas presentes fez comentários sobre os boatos e o presidente Lula não discursou, mas a ministra foi bastante aplaudida e ovacionada após sua fala.
Ela destacou que os números da dengue no Brasil caíram cerca de três vezes em relação ao ano passado. Segundo Nísia Trindade, o cenário é resultado dos esforços de várias frentes na contenção da doença, com destaque para a atenção primária. Os únicos dois estados que não acompanham essa tendência são Acre e São Paulo. Esse último tem hoje quase metade do total de casos do país.
No ano passado, o Brasil atingiu números recordes de infecções por dengue e chegou a um cenário nunca antes registrado. Nas palavras de Nísia, o anúncio da nova vacina é mais uma das respostas contra possíveis novos surtos. Falando diretamente com Lula, ela ressaltou o potencial de inovação brasileiro.
“O Brasil poderia ter uma escala de produção semelhante a da Índia e a da China, se políticas como as que o senhor desenvolveu desde a sua primeira gestão, e a presidenta Dilma Rousseff deu continuidade, não tivesse sido interrompidas”.
O que foi anunciado?
A previsão é de que, a partir do próximo ano, o Brasil passe a produzir 60 milhões de doses anuais da vacina contra a dengue, com possibilidade de ampliação a depender da demanda. A produção ocorre em parceria entre o Instituto Butantan e a empresa internacional WuXi Biologics, por meio do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local (PDIL) do Ministério da Saúde.
Parte da estratégia de fortalecimento da indústria brasileira, o anúncio está na lista de ações que têm objetivo de dar autonomia de insumos para o Sistema Único de Saúde (SUS). O Brasil é o primeiro país do mundo a incluir a produção do imunizante contra a dengue como uma política de saúde pública, com investimento total de R$ 1,26 bilhão.
De acordo com o governo, a colaboração permitirá uma ampliação de 50 vezes na oferta de imunizantes contra a dengue no Brasil. O projeto tem financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o imunizantes foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Além disso, durante o evento, foram anunciadas outras parcerias para ampliação de tecnologias de saúde. Entre elas, a produção da vacina contra a gripe aviária, que será destinada ao preparo do país para responder a possíveis emergências sanitárias relacionadas à doença.
Na cerimônia também foi divulgada a primeira planta produtiva de Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) de insulina da América Latina e a inclusão da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) no calendário de imunização de gestantes. O imunizante será produzido pelo Instituto Butantã e as primeiras doses serão distribuídas de imediato pela farmacêutica Pfizer.