Os admiradores das tiras da Niara, mascote da campanha Tributar os Super-Ricos, já podem acessar a coletânea das histórias publicadas em 2024. O material, reunido em um livro digital de 120 páginas, está disponível gratuitamente em formato PDF. Esta é a quarta edição consecutiva do projeto, que visa tornar temas tributários mais acessíveis por meio do humor e da linguagem simples.
Produzidas semanalmente pelo renomado cartunista Renato Aroeira, as tiras da Niara abordam questões econômicas e sociais com um olhar crítico e bem-humorado. A personagem, criada para ilustrar as propostas da campanha Tributar os Super-Ricos, traduz conceitos complexos em narrativas visuais que facilitam o entendimento do público em geral.
“Nosso objetivo é mostrar que tributar grandes fortunas é uma medida viável e necessária para combater as desigualdades”, explica Clair Hickmann, presidenta do IJF. Segundo ela, as propostas defendidas pela campanha atingem apenas os 0,3% mais ricos do país, beneficiando mais de 15 milhões de brasileiros que hoje pagam mais impostos do que deveriam.
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O livro, em formato A6, pode ser baixado gratuitamente no site da Niara. Além das edições anteriores (2023, 2022, 2021), o portal também disponibiliza mais de 200 tiras individualizadas, publicadas desde dezembro de 2020.
A campanha Tributar os Super-Ricos, apoiada por mais de 70 organizações nacionais, propõe medidas como a tributação de patrimônios acima de R$ 10 milhões, a revogação da isenção de lucros e dividendos e o fim do benefício dos Juros sobre Capital Próprio (JCP). Em 2024, o Congresso Nacional refutou um projeto que previa o Imposto sobre Grandes Fortunas, apesar de sua previsão constitucional desde 1988.
“O Brasil tributa muito pouco as altas rendas em comparação com os países desenvolvidos, enquanto penaliza as faixas mais baixas”, ressalta Hickmann. O movimento também defende uma reforma tributária focada na renda como prioridade para 2025.
Com o aumento da concentração de riqueza — em 2024, o número de bilionários no mundo subiu para 2.769, que juntos acumulam R$ 90 trilhões —, as propostas da campanha ganham ainda mais relevância. No Brasil, o número de bilionários cresceu 13% em relação a 2023, colocando o país como o sétimo com mais bilionários no mundo, segundo a Forbes.
Reforma tributária da renda, uma pauta de justiça social
No cenário atual, a publicação tem a intenção de defender a reforma tributária da renda como prioridade para 2025. “O imposto sobre a renda da pessoa física é o tributo que mais permite que se faça justiça fiscal e social. O que se aprovou no Brasil recentemente foi apenas a reforma tributária do consumo, que não muda a estrutura geradora das desigualdades”, destaca o editorial.
Melhorar a progressividade do imposto de renda, desonerar quem ganha até R$ 5 mil mensais, compensando com a indevida isenção de lucros e dividendos, revogando o benefício dos Juros sobre Capital Próprio (JCP) e onerando efetivamente as faixas mais altas de renda são medidas urgentes para serem aprovadas neste ano, defende a campanha.
Brasil tributa pouco altas rendas
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O movimento propõe também a necessidade de aliviar a carga sobre o consumo, o que poderia também ser compensado pelo excedente gerado pela tributação das rendas e patrimônios muito elevados.
“O Brasil tributa muito pouco as altas rendas em comparação à média dos países desenvolvidos, e tributa excessivamente as faixas mais baixas de renda e o consumo de bens e serviços, bem acima da média dos países desenvolvidos e mesmo dos países emergentes”, completa Hickmann.
Bilionários lucram R$ 34 bilhões por dia
Uma tributação mínima global sobre a riqueza também foi a proposta levada pelo Brasil ao G20 para combater a fome e a extrema pobreza, tema em debate no grupo.
Uma escalada de concentração de riqueza nunca vista foi constatada em 2024: o número de bilionários no mundo subiu de 2.565 para 2.769. Essa ínfima minoria da população ficou R$ 34 bilhões mais rica a cada dia (5,7 bilhões de dólares). Cada um dos dez mais ricos do mundo ficou em média, cerca de R$ 600 milhões mais rico por dia (100 milhões de dólares).
O patrimônio combinado passou de 13 trilhões de dólares para 15 trilhões de dólares (R$ 78 trilhões para R$ 90 trilhões), crescimento três vezes mais rápido do que o registrado no ano anterior, criando uma nova oligarquia aristocrática que tem imenso poder na política e economia. O 1% mais rico detêm 45% da riqueza.
Em 2024, o Brasil tinha 69 bilionários, um aumento de 13% em relação a 2023. O país é o sétimo com mais bilionários no mundo pelo ranking da revista Forbes.
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