EM VISITA AO RS

Padilha diz que só o diálogo resolverá os problemas da saúde em Porto Alegre

Sobre o caos do sistema apregoado pelo prefeito Melo, novo ministro afirmou que não ouviu nada e que só busca soluções

No audio source provided.
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na abertura do Serviço de Radioterapia do GHC | Crédito: Foto: Igor Ibarra da Silva e Kátia Reichow/GHC

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, empossado na semana passada no lugar de Nísia Trindade, esteve no fim de semana em Porto Alegre para uma série de visitas a hospitais e para inaugurar novas salas cirúrgicas e entregar equipamentos de radioterapia em hospitais da cidade. Fez visita também ao Grupo Hospitalar Conceição, onde entregou o serviço de radioterapia no Centro de Oncologia. Ele veio conferir também se era verdade tudo que o prefeito Sebastião Melo (MDB) estava dizendo sobre a saúde.

Na sexta-feira (13), Melo fez uma série de ameaças aos usuários dos serviços públicos de saúde e anunciou corte de serviços, prejudicando seriamente a população que mais precisa. Disse que a situação era de “caos” na Capital e que seria preciso cortar alguns serviços. Nas últimas semanas, todas as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) do município voltaram a ter superlotação nas emergências, além de vários hospitais.

O secretário de Saúde da Capital, Fernando Ritter, endossou o seu prefeito e reafirmou que Porto Alegre precisa de aumento de teto financeiro, habilitação de novos serviços e agilidade na liberação de processos que já estão tramitando no ministério. Um desses processos é um edital para a criação de cinco novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs).

“Isso vai ajudar e muito a distensionar as emergências. A saúde mental, por exemplo, chega a ser a terceira e, às vezes, a segunda causa de procura por uma emergência. Então, a gente largou esse edital para a contratação de cinco CAPs e precisamos da agilidade. Também para habilitar novos leitos de queimados no HPS (Hospital de Pronto-Socorro), de leitos clínicos. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre também tem uma área importante para poder ampliar, é um hospital resolutivo”, exemplificou o secretário ao site do jornal Correio do Povo.

O ministro, na sua visita, não tratou de minimizar a situação. Disse que é preciso diálogo constante e que a população não pode ser prejudicada. No comando do ministério da Saúde desde 10 de março, Padilha marcou uma reunião com o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) para encaminhar soluções mais amplas e gerais.

Reclamações

No Grupo Conceição, Padilha disse que não ouviu críticas e nem reclamações contundentes. Disse que pode conversar com o prefeito a hora que for possível. Melo não apareceu na visita do ministro.

Além de estar disposto a prestar todo o tipo de ajuda, o ministro disse que Porto Alegre já começou a realizar mutirão de cirurgias eletivas, medida que, segundo ele, ajudará a reduzir a pressão sobre a rede hospitalar. Buscando reduzir as filas, os hospitais do Grupo Conceição farão cirurgias à noite e aos sábados nas quatro unidades da rede.

No primeiro dia de mutirão (15) para diminuir a fila foram feitos 339 atendimentos — 88 cirurgias gerais, pediátricas, ginecológicas, ortopédicas, entre outras especialidades, e 251 exames, que incluem mamografias, biopsias de mama e eletrocardiogramas. Conforme o Ministério da Saúde, existe um potencial no GHC para reduzir em 50 dias o tempo médio entre a suspeita e a confirmação de diagnóstico de câncer. A média hoje é de 71 dias, e a expectativa é reduzir para 17.

O ministro também pretende fazer um novo sistema de financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Desta vez, afirmou ser necessário “enterrar de vez a tabela SUS”. Segundo ele “ela não faz nenhum sentido” mais para a organização de serviços. “Temos que criar um modelo do tipo poupa tempo”, uma política que “valoriza quem atende no tempo certo”.

Editado por: Marcelo Ferreira

|

Newsletter