O historiador e professor Valter Pomar, candidato a presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), está no Recife. Ele reúne a militância, na noite desta segunda-feira (24), para um debate sobre o cenário social, político e econômico nacional e o papel do PT nesta conjuntura. O encontro acontece a partir das 19h, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Telecomunicações (Sinttel), que fica na rua Afonso Pena, nº 333, bairro de Santo Amaro.
Mais cedo, às 17h30, Pomar concede entrevista coletiva para a imprensa na sede do PT, também em Santo Amaro. Além de militante e membro da direção nacional do PT, o historiador é professor na graduação de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), no estado de São Paulo. A votação para a definição dos novos dirigentes partidários municipais, estaduais e nacionais do PT acontece no Processo de Eleições Diretas (PED) interno do partido, previsto para o dia 6 de junho.
Valter Pomar é candidato pela tendência Articulação de Esquerda (AE), corrente interna do PT fundada em 1993 e que se apresenta como parte de um bloco “mais à esquerda” dentro do partido. A candidatura propõe mudanças no cenário interno do PT e sobre o papel dos militantes. “[Defendo] um partido internamente democrático, militante e atuante”, disse o historiador em entrevista ao site do PT. Em Pernambuco, a corrente tem como principais nomes o ex-vereador Múcio Magalhães, a liderança feminista Jô Meneses e o professor Patrick Campos.
Questionado sobre os desafios políticos que o PT possui hoje, Pomar elenca quatro principais: que o governo Lula mude de rumo e busque uma “transformação” mais profunda na vida da população; estimular a mobilização social como forma de pressão política pelas bandeiras de esquerda; fortalecer o debate ideológico à esquerda e contra o que chama de “ajuste fiscal permanente”; e uma estratégia para que a COP 30 e a Cúpula dos Brics no Brasil sejam a afirmação da política externa “altiva e ativa” dos governos petistas.
Leia: Humberto Costa: ‘O PT é um partido de esquerda e deve continuar onde está’
O PT precisa reforçar Lula, preservar sua independência e debater Pernambuco
A corrente defende que o PT lidere reformas estruturais que possibilitem “uma transformação radical” do Brasil. A declaração do 9º Congresso da AE, finalizado no dia 15 de março, considera que “se o partido continuar confundindo governo com poder, seremos não apenas incapazes de derrotar nossos inimigos, como também sofreremos cada vez mais derrotas eleitorais”. A tendência defende que o PT lute “por um Brasil democrático, popular e socialista”.
Articulação de Esquerda
A corrente que Valter Pomar representa considera que neste momento o PT não está “à altura da tarefa” de liderar o povo brasileiro na luta “pelo bem estar social, pelas liberdades democráticas, pela soberania, integração regional, desenvolvimento e pelo socialismo”. “O Brasil e o mundo mudaram e (…) o que fizemos no passado já é uma grande história, mas não nos basta”, diz a declaração do Congresso da AE direcionada para o partido.
O texto diz que a AE quer o PT “à altura de vencer os imensos problemas e contradições do presente”. “O PT precisa de mudanças profundas no seu funcionamento e linha política. Se o PT continuar como está hoje, profundamente desorganizado, pouco importa qual será a linha política que adotemos. Desorganizados, cedo ou tarde seremos derrotados”, avalia a Articulação de Esquerda.
A corrente petista aponta como inimigos do partido “o imperialismo estadunidense, o capital financeiro, o agronegócio, a mineração extrativista, a extrema direita e a direita tradicional, o fundamentalismo religioso, os grandes meios de comunicação e a cúpula das forças de Defesa e segurança”. E para enfrentá-los, diz a AE, “o PT precisa de uma estratégia de longo prazo” que alie a disputa eleitoral com a disputa pelo poder, como sugerem documentos internos do partido na década de 1980.
Leia também: Deputada pernambucana pede que governo Raquel Lyra retire imposto sobre cesta básica