A partir das 7h da próxima segunda-feira (1º), os servidores municipários de Porto Alegre iniciarão uma greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada em assembleia geral realizada nesta terça-feira (25) e ocorre em resposta à falta de avanços na negociação com a prefeitura sobre a reposição salarial e demais reivindicações da categoria.

Na quinta-feira (21), os municipários já haviam realizado um ato nas ruas do centro da cidade para chamar atenção às reivindicações da categoria. A manifestação reuniu centenas de servidores que protestaram contra a falta de reajuste salarial e a demora da prefeitura em atender às demandas apresentadas pelo sindicato. O ato foi marcado por discursos de lideranças sindicais e faixas denunciando a desvalorização dos trabalhadores municipais.

Reivindicações da categoria
O movimento grevista tem como principal demanda a reposição das perdas salariais acumuladas nos últimos anos, que somam 33,40%. Os municipários também cobram o cumprimento de compromissos assumidos pelo governo do prefeito Sebastião Melo em 2023, como o pagamento das progressões de carreira e a parcela autônoma para servidores que recebem abaixo do salário mínimo nacional.
Negociações frustradas com a prefeitura
Na tarde de terça-feira (25), antes da assembleia, representantes do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) se reuniram com o governo na Secretaria Municipal de Gestão e Patrimônio (Smap). O encontro, no entanto, não trouxe avanços concretos. O prefeito Sebastião Melo não compareceu, e os representantes da gestão pediram mais 15 dias para concluir um estudo das finanças da prefeitura antes de uma nova reunião.
Para os municipários, o pedido de adiamento reflete uma estratégia recorrente do governo para postergar decisões. Segundo o Simpa, a narrativa da falta de recursos é utilizada anualmente como justificativa para evitar reajustes, agravando a defasagem salarial da categoria.
O diretor-geral do Simpa, João Ezequiel, expressou frustração com a falta de propostas concretas por parte da prefeitura: “Foi uma reunião muito dura. Nos chamaram de forma urgente, esperávamos alguma resposta concreta, mas não foi o que tivemos. Tudo muito vago”.
A prefeitura argumenta que os índices da defasagem inflacionária apresentados pelo sindicato não correspondem ao período da atual gestão e atribuiu a falta de reajustes ao impacto das enchentes de maio e a gastos com a saúde. O secretário geral de Governo da Capital, André Coronel, afirmou que a prefeitura mantém o diálogo aberto com a categoria e se comprometeu a realizar uma nova reunião nos próximos dias com a presença do prefeito Sebastião Melo.
“O governo afirma a sua posição desde o início de manter o diálogo aberto. Seguimos empenhados com as negociações e em buscar soluções viáveis em consonância com a realidade orçamentária do município, principalmente nesse momento de recuperação da cidade após a enchente de maio”, afirmou Coronel.

Próximos passos da mobilização
Com a paralisação confirmada, o Comando de Greve do Simpa organizará as atividades dos primeiros dias do movimento. No dia 2 de abril, uma nova assembleia geral será realizada no Centro de Eventos Barros Cassal para avaliar a mobilização e definir os próximos passos.
A categoria também orienta os servidores a acompanharem as informações e deliberações nas redes sociais do Simpa.
