CINEMA

Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre, completa 10 anos com sessão de cinema gratuita do RodaCine

Evento inicia às 20h neste sábado, na praça Açorianos, no Centro Histórico, com os filmes Chibo e Um é Pouco, Dois é Bom

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Cinemateca Capitólio fica no Centro Histórico de Porto Alegre | Crédito: Foto: Divulgação

Após circular pelas cidades do interior do Rio Grande do Sul ao longo do verão, o projeto RodaCine chega a Porto Alegre (RS) para uma sessão especial de 10 anos da Cinemateca Capitólio. A celebração será neste sábado (29), a partir das 20h, com exibição gratuita de filmes ao ar livre. O evento será na praça Açorianos, no Centro Histórico da cidade.

Na ocasião, serão projetados os filmes Um é Pouco, Dois é Bom (1970), o primeiro longa-metragem dirigido por um cineasta negro no RS, agora em versão restaurada em 4K; e Chibo (2024), vencedor do prêmio de Melhor Curta Gaúcho no Festival de Gramado (RS) e Melhor Curta na Mostra Regional da Fronteira em Bagé (RS).

A a coordenadora do RodaCine, Paola Mallmann conta que a realização do RodaCine no período de veraneio foi muito positiva e movimentou a cena cultural das cidades do interior do estado. “Agora, o projeto chega à Capital celebrando a restauração da obra de longa-metragem que será exibida, em um gesto de valorização do cinema gaúcho e da memória viva das nossas produções. O cinema itinerante em espaço público fortalece a relação de fruição do público com os bens culturais, o cinema e a cidade“, destaca.

Chibo

Chibo foi filmado no Rio Uruguai e já conquistou prêmios como melhor curta gaúcho em Gramado (RS) e melhor curta em Bagé (RS) / Foto: Gabriela Poester

Brasil, 2024, documentário, 18 minutos, exibição em DCP

Classificação indicativa: 10 anos

Curta-metragem já premiado no Festival de Cinema de Gramado, dirigido por Henrique Lahude e Gabriela Poester. Na fronteira entre Brasil e Argentina, uma família vive às margens do rio Uruguai e trabalha com chibo – travessia clandestina de mercadorias para subsistência, comércio e pessoas. Dani, a filha mais velha, está prestes a concluir o ensino médio e enfrenta as decisões dessa fase da vida.

Um é Pouco, Dois é Bom

‘Um É Pouco Dois É Bom’ é o primeiro longa de um cineasta negro no RS e traz Luís Fernando Veríssimo em início de carreira. Entre o humor e o drama, o filme fala sobre racismo – Super Filmes LTDA

Brasil, 1970, ficção, 94 minutos, exibição em DCP

Classificação indicativa: livre

O clássico do cinema gaúcho, de Odilon Lopez (1941-2002), é o primeiro longa assinado por um diretor negro no Rio Grande do Sul. Restaurada em 4K, a obra foi exibida pela primeira vez pelo Capitólio em setembro do ano passado.

O filme é produzido, roteirizado, protagonizado e dirigido por Odilon Lopez e tem diálogos assinados por um jovem Luís Fernando Veríssimo, ainda em início de carreira. Dividido em dois episódios – Com… um Pouquinho de Sorte, protagonizado por Araci Esteves e Carlos Carvalho, e Vida Nova… por Acaso, em que Odilon Lopez é o protagonista ao lado de Francisco Silva – o filme equilibra drama e humor para falar das desigualdades do país durante a ditadura militar, além de trazer uma abordagem pioneira sobre o racismo e a marginalização cíclica de seus personagens.

A restauração do longa foi viabilizada em 2024 através de uma parceria entre a Cinemateca, a Indeterminações (plataforma de crítica e cinema negro brasileiro) e a Mnemosine Serviços Audiovisuais. Contou ainda com o apoio do Itaú Cultural.

O processo de restauração digital em 4K se deu a partir dos negativos originais de imagem e som em 35mm do filme e que se encontram depositados em perfeito estado de conservação na Cinemateca Brasileira, em São Paulo (SP).

Até o momento, apenas a segunda parte do filme, composto por dois episódios, estava disponível (digitalizada em baixa resolução em 2006 pelo ator, diretor e produtor Zózimo Bulbul), limitando o conhecimento da obra em sua integralidade. O primeiro episódio, protagonizado por Araci Esteves e Carlos Carvalho, “visto por poucos espectadores, agora pode ser assistido e certamente surpreenderá os espectadores pela contundência de sua crítica ao milagre econômico brasileiro”, explica Paola.

Cinema Itinerante

O projeto cultural RodaCine foi uma das iniciativas de maior êxito dentro do cenário audiovisual brasileiro no que diz respeito à difusão e circulação dos produtos cinematográficos, à descentralização da exibição e à democratização do acesso ao cinema nacional. Ao longo de 14 anos, executou mais de 1,2 mil sessões de exibição gratuitas em todo o RS, levando o cinema a mais de 450 mil pessoas que careciam de salas de projeção em suas cidades. Está sendo retomado em 2025, também como um marco dos 25 anos da Fundacine.

Em 2025, o RodaCine estreou em 30 de janeiro em Jaguarão, tendo visitado também São Lourenço do Sul, Pelotas, Rio Grande, Mostardas, Tramandaí e Rio Pardo. Em cada uma das cidades, os moradores puderam acompanhar palestras e oficinas vinculadas ao audiovisual, e também sessões de cinema ao ar livre com exibição de filmes de curta e longa-metragem gaúchos, em diversas sessões com apresentações musicais. Todas as atividades são gratuitas.

“O objetivo dessa edição do projeto é percorrer 20 municípios do interior do estado do RS exibindo exclusivamente obras audiovisuais gaúchas, como uma forma de valorizar e incentivar a indústria do audiovisual local, oferecendo a milhares de gaúchos e gaúchas a experiência singular de estar no cinema e poder usufruir de uma obra audiovisual”, conclui Paola.

Serviço

10 anos da Cinemateca Capitólio com projeções do RodaCine

Data: sábado (29)

Horário: 29h

Local: Praça Açorianos – Centro Histórico de Porto Alegre – acesso pelas Avenidas Loureiro da Silva e Borges de Medeiros, próximo ao Capitólio

Entrada: Livre e gratuita

Editado por: Marcelo Ferreira

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