Os servidores municipais de São Paulo realizam uma paralisação unificada nesta quarta-feira (2), com ato em frente à sede da Prefeitura, a partir das 10h. A mobilização faz parte da campanha salarial unificada de 2025 e tem como principal demanda o reajuste de 12,52% para todos os trabalhadores do funcionalismo público.
Segundo os sindicatos que organizam o ato, esse índice busca recompor as perdas inflacionárias e recuperar parte do poder de compra dos servidores, uma vez que os reajustes de anos anteriores são considerados insuficientes pela categoria.
Entre as demais reivindicações está a revogação do confisco de 14% sobre os vencimentos de aposentados e pensionistas. Segundo os servidores, a medida, implementada sob justificativa de equilíbrio fiscal, tem impacto negativo direto sobre aqueles que já contribuíram ao longo de suas carreiras e dependem da aposentadoria para sua subsistência. As entidades argumentam que os valores arrecadados não têm impacto relevante no déficit previdenciário e que a prefeitura tem margem orçamentária para reverter a cobrança.
Outro ponto da pauta é a demanda por melhores condições de trabalho e saúde. Os servidores denunciam falta de insumos, precarização do ambiente de trabalho e dificuldades de acesso a atendimento médico adequado, além do aumento expressivo de afastamentos por questões de saúde mental, especialmente entre professores e profissionais da saúde.
A paralisação também reforça a luta por valorização da educação. Os trabalhadores das escolas municipais reivindicam a incorporação de 39,1% dos abonos salariais às tabelas remuneratórias, uma vez que reajustes anteriores foram concedidos em forma de abono e criaram distorções e comprometeram o plano de carreira da categoria. Além disso, a categoria pede a elevação do piso de todos os profissionais da educação – não apenas dos professores.
Os servidores também pedem a realização de novos concursos públicos e o fim das terceirizações. As entidades sindicais alertam para a falta de profissionais em diversas áreas e aponta que a substituição de servidores efetivos por trabalhadores terceirizados prejudica a continuidade e a qualidade dos serviços públicos.
Outro ponto sensível da pauta é a equiparação do vale-refeição e do auxílio-alimentação pagos aos servidores da administração direta com os valores recebidos por funcionários da Câmara Municipal, do Tribunal de Contas do Município (TCM) e de autarquias. Os trabalhadores alegam que os valores praticados atualmente são insuficientes para cobrir o custo de alimentação na cidade, uma vez que a inflação dos alimentos está em alta.
Ricardo Nunes promete corte de ponto
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, criticou os trabalhadores pela organização da paralisação. “Eu acho que é uma ação, uma decisão, me parece mais política partidária do que eventualmente com relação a uma questão de um pleito que nem encerrou as negociações”, afirmou. A declaração foi concedida em entrevista nesta segunda-feira (31) e enviada ao Brasil de Fato pela assessoria de imprensa da Prefeitura, após ser questionada pela reportagem sobre as reivindicações dos trabalhadores.
Ele afirmou que os servidores que aderirem à greve terão os salários descontados.
Nunes disse também que, durante seu primeiro mandato, contratou 16 mil profissionais provenientes de concursos e concedeu um aumento salarial de 44% para os professores. Segundo Nunes, a data-base para reajustes salariais é em maio, e ele tem mantido um diálogo constante com os profissionais da educação.