Nos próximos dias, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve fazer um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que senadores possam visitar o general Walter Braga Netto, ex-ministro do governo de Jair Bolsonaro (PL), em prisão preventiva numa unidade do Exército no Rio de Janeiro.
O pedido partiu do senador Eduardo Girão (Novo-CE) que alegou a impossibilidade de visitas de parlamentares a Braga Netto, primeiro general quatro estrelas a ser julgado por tribunal civil após a redemocratização do país. Segundo o senador, a solicitação já tem mais de 20 assinaturas.
Alcolumbre assentiu ao pedido do senador da extrema direita e destacou que iria acionar, a partir do Senado, o Supremo, para solicitar a visita.
“Na reunião do colégio de líderes foi feita a solicitação, por vários senadores, para que o Senado pudesse se manifestar junto ao STF para que fosse autorizada a visita”, afirmou Alcolumbre.
Para o pesquisador do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, Jorge Rodrigues, o senador Girão tenta, a partir do pedido, alimentar a disputa ideológica dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado e reforçar a ideia de perseguição política.
“Existe uma disputa que a extrema direita está fazendo e é uma disputa que temos que fazer também enquanto campo político, uma disputa pela democracia e para enterrar de vez essa falácia de uma perseguição política aos julgados. A outra falácia que também devemos enterrar é que não existe algum grau de alinhamento ideológico entre os militares e [Jair]Bolsonaro. O ex-presidente teve uma formação, inclusive, nas Forças Armadas, no Exército, e isso não pode ser negligenciado”, explica Rodrigues ao Brasil de Fato.
Ele aponta ainda a necessidade de enfrentar o alinhamento ideológico do Exército com o bolsonarismo. “Essa é uma agenda, tanto de pesquisa, quanto política, que a gente precisa enfrentar, porque é no mínimo perigoso, para dizer assim, que nossas Forças Armadas estejam sendo doutrinadas e formadas com esse tipo de ideologia política, ideologia de extrema direita.”
Em dezembro do ano passado, Braga Netto foi preso preventivamente por determinação do ministro do Supremo Alexandre de Moraes.
Em março deste ano, o general se tornou réu, junto com Jair Bolsonaro e outras seis pessoas envolvidas na trama golpista por organização criminosa armada, tentativa violenta de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.