Moradores de Mateus Leme, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), protestam contra o decreto municipal que revogou a Zona de Amortecimento da Serra do Elefante, importante área de preservação ambiental. A mobilização aconteceu na praça Matriz, em 29 de março.
A medida foi assinada pelo prefeito Dr. Renilton (Republicanos) em fevereiro e pode reduzir em um terço a faixa protegida, abrindo caminho para empreendimentos imobiliários e até mineração.
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A Associação Amigos da Serra do Elefante (AASE), que há anos atua na defesa do local, denuncia a falta de transparência e participação popular na decisão.
“Com estudos preliminares, mapeamos quase 180 espécies de aves registradas na serra do Elefante. A diversidade é ainda maior do que a estimada até o momento. Nossos dados reforçam a importância da serra como área de conservação da Mata Atlântica e do Cerrado, um refúgio de uma fauna preciosa que inclui espécies ameaçadas”, afirmou o movimento em nota.
A entidade já conseguiu barrar projetos de construção na região por meio de ações judiciais, garantindo a preservação da vegetação e dos recursos hídricos. Agora, com a revogação da zona de proteção, essas conquistas estão ameaçadas.
Riscos ambientais
A deputada estadual Lohanna França (PV) criticou o decreto municipal e destacou o papel da serra do Elefante na mitigação de tragédias climáticas.
“A serra do Elefante está sendo atacada pela especulação imobiliária. Desde 2008, ela é reconhecida como patrimônio cultural e unidade de conservação, mas falta documentação básica. Agora, a prefeitura quer liberar um condomínio com mais de 130 casas em uma área de Mata Atlântica residual. Em tempos de enchentes, calor extremo e alta no preço dos alimentos por causa das mudanças climáticas, a serra nos protege”, alertou em suas redes sociais.
Diante desse cenário, Virgínia Aguiar, integrante da AASE, convoca a população a se mobilizar.
“Precisamos do apoio de todos para defender o nosso patrimônio. Estamos vivendo uma crise climática. Quem se importa com a cidade e com a serra precisa se manifestar”, disse em comunicado.
Petição e mobilização nas redes
Diante da ameaça, a AASE está coletando assinaturas para uma petição pública que pressione a prefeitura a reverter o decreto. A mobilização ganha força nas redes sociais, com moradores e ambientalistas alertando para o risco de perda irreparável.
“Se não agirmos agora, podemos perder um dos nossos maiores patrimônios naturais para sempre”, alertam os organizadores.
Para obter mais informações e assinar a petição, acesse @aase.ml no Instagram.