O presidente da Argentina, Javier Milei, disse esperar “que as Malvinas decidam votar em nós” em relação à soberania do território, em discurso na manhã de quarta-feira (2) na Plaza San Martín, na capital Buenos Aires. “Queremos ser uma potência para que eles queiram ser argentinos, e que nem mesmo se necessite de dissuasão ou convencimento para consegui-lo”, acrescentou o representante da extrema direita no Dia dos Veteranos da Guerra das Malvinas.
O presidente argentino alegou que, nas últimas décadas, a reivindicação às ilhas Malvinas “foi prejudicada por decisões diplomáticas, econômicas e políticas da casta política [sua oposição]”, e questionou abertamente “o desarmamento deliberado e a demonização das forças armadas”.
Há quase 200 anos a Argentina reivindica este arquipélago, situado a 600 km de sua costa no Atlântico Sul, cenário de um conflito bélico entre 2 de abril e 14 de junho de 1982, que terminou com a vitória do Reino Unido e um balanço de 649 argentinos e 255 britânicos mortos.
“O plano é uma política externa alinhada com os países livres e fortalecer as áreas das quais o Estado [argentino] deve cuidar, eliminando aquelas que são excedentes às necessidades”. Milei reconheceu uma possível autodeterminação dos habitantes das Malvinas sobre o futuro do território, exercido pela Grã-Bretanha e rejeitado pela Argentina como um ocupante ilegítimo.
Mas esse argumento é rechaçado pelo jornalista argentino Yair Cybel que afirma que ouvir os moradores das Malvinas “sobre sua situação é quase tão risível quanto perguntar aos colonos israelenses que vivem na Cisjordânia a qual estado eles querem pertencer. E não sou eu quem está dizendo isso, mas a Resolução 2065 da ONU.” A resolução citada, de 1965, 1965, reconhece a disputa pelo território entre os dois países e pede uma solução negociada.
Após dez minutos de discurso, Milei deixou o local para se preparar para sua viagem rumo aos Estados Unidos, aliado à Grã-Bretanha na guerra de 1982 pelo território malvinense.
A viagem do presidente acontece durante as negociações de empréstimo de US$ 20 bi pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que tornará o país ainda mais refém do fundo, que imporá ao país condições econômicas, sociais e políticas.
Milei, que ainda não tem agenda definida nos Estados Unidos, pretende encontrar apoio de Washington para fechar negócio definitivamente com o FMI. A ex-presidenta argentina Cristina Kirchner criticou o discurso de Milei em sua conta na rede social X. Para ela, o discurso de Milei se baseia em três pontos: “ideologização excessiva, desfinanciamento e negligência diplomática”
Cristina compartilhou em sua conta no X um fragmento do comunicado da Secretaria de Defesa do Partido Justicialista em 2 de abril, Dia dos Veteranos e dos Mortos na Guerra das Malvinas. “[Há] uma série de decisões que vão na contramão de nossa política de Estado em um contexto global de conflito crítico e uma aceleração da disputa pelo controle da projeção do Atlântico Sul e da Antártida”.
*Com informações da Página12