A obra teatral galhada, em tempos de fissura, criação da atriz, diretora e pesquisadora Alice Stefânia, chega à sua última semana de apresentações no Teatro Hugo Rodas, no Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul), em Brasília. As apresentações ocorrem de 4 a 6 de abril, sempre às 20h, com entrada gratuita, mediante retirada de ingressos.
A proposta artística do espetáculo desafia o público a refletir sobre a exploração predatória da Terra e as estruturas de poder que a perpetuam, por meio da mescla de performance, música ao vivo e projeções visuais. A classificação indicativa é livre para todos os públicos, com duração de pouco mais de uma hora.
O projeto já percorreu as cidades do Gama, Taguatinga e Ceilândia, encerrando a temporada no Plano Piloto. Conta com patrocínio da Lei Paulo Gustavo – Ministério da Cultura e apoio do Serviço Social da Indústria (SESI-DF), Serviço Social do Comércio (SESC-DF), Espaço Cultural Renato Russo e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal.
A motivação para o espetáculo nasce da urgência em discutir a devastação ambiental acelerada, impulsionada pelo modelo capitalista que intensifica a exploração da natureza. “A gente está vivendo um processo acelerado de devastação planetária, com pouca resposta de quem concentra o capital e um modo de vida que nos encaminha para um colapso cada vez mais irreversível”, afirma Alice Stefânia.
Ela explica que a experiência sensorial conecta o Antropoceno, era geológica marcada pela ação destrutiva da humanidade, ao Capitaloceno, conceito que relaciona a crise climática ao sistema capitalista e colonial. Assim, a narrativa se constrói a partir da galhada, um símbolo que atravessa os reinos animal, vegetal e mineral, metaforizando as conexões e rupturas entre diferentes formas de vida.
Para a diretora, a obra nasceu da fusão de múltiplas ideias, consolidando-se em seu pós-doutorado, que deu luz ao espetáculo. O projeto multilinguagem ganhou corpo por meio de um processo colaborativo com artistas como Giselle Rodrigues (direção de movimento e geral), William Ferreira (direção de arte) e Diogo Cerrado e Lupa Marques (direção musical).
“Estou dirigindo este trabalho junto com a Alice, mas toda a concepção da obra é dela. Tiveram vários artistas colaboradores, que deixaram a peça rica e com conteúdo muito forte e muito potente”, comenta Giselle. Ela conta que agora a ideia é fazer uma temporada em escolas, para estimular discussões sobre o tema e ampliar seu alcance entre os jovens. “Acho que é uma peça que tem vida longa aí.”
Serviço | galhada, em tempos de fissura
Dias 4, 5 e 6 de abril, às 20h
No Teatro Hugo Rodas – Espaço Cultural Renato Russo (508 Sul)
Classificação indicativa: livre para todos os públicos
Duração: 65 minutos
Entrada gratuita, com retirada de ingressos pelo Sympla