A Hungria anunciou nesta quinta-feira (3) que deixará o Tribunal Penal Internacional (TPI), durante a visita ao país do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, contra quem a corte da ONU emitiu um mandato de prisão por crimes de guerra na Faixa de Gaza.
O anúncio ocorreu no momento que o primeiro-ministro de extrema direita, Viktor Orban, recebeu Netanyahu em Budapeste em sua primeira viagem à Europa desde 2023 e afirmou que não cumpriria o mandado de prisão contra ele. Netanyahu saudou a decisão “ousada e baseada em princípios” de seus anfitriões de deixar o tribunal, chamando-o de “organização corrupta”.
Criado em 2002, o TPI, com sede em Haia, busca processar indivíduos responsáveis pelos crimes mais graves do mundo quando os países não querem ou não podem fazer isso por conta própria. A Autoridade Palestina (AP), sediada em Ramallah, pediu à Hungria que “cumpra o mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional, entregando Netanyahu imediatamente para que ele seja levado à justiça”.
Netanyahu e Orban conversaram com o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta quinta-feira, sobre a decisão da Hungria de deixar o TPI, informou o gabinete do líder israelense. O corpo diretivo do TPI lamentou, nesta quinta (3), a decisão da Hungria de deixar a jurisdição do tribunal da ONU e expressou preocupação com as consequências para a luta contra a impunidade.
“Quando um Estado-membro se retira (…), prejudica a nossa busca comum por justiça e enfraquece a nossa determinação de combater a impunidade”, disse a presidência da Assembleia dos Estados-membro em um comunicado.
*Com AFP