Na noite desta quarta-feira (2), moradores da vila Cruzeiro, na zona sul da capital gaúcha, realizaram um protesto contra a falta de energia elétrica que já durava mais de 48 horas, após o temporal de segunda-feira (31), que trouxe rajadas de vento de até 111 km/h e deixou aproximadamente 260 mil clientes sem eletricidade, com maior impacto nas regiões de Porto Alegre e Eldorado do Sul. A manifestação aconteceu na avenida Moab Caldas, onde bloquearam a via com galhos e colocaram fogo para chamar a atenção das autoridades e da concessionária CEEE Equatorial.
A interrupção no fornecimento de energia afetou residências, comércios e serviços essenciais da comunidade, gerando indignação entre os moradores. Além da falta de luz, a região também sofria com o desabastecimento de água, agravando ainda mais a situação.
Durante o ato, equipes da CEEE Equatorial foram ao local para tentar restabelecer o serviço. No entanto, o protesto foi reprimido pelo Batalhão de Choque da Brigada Militar, que utilizou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os moradores. Relatos indicam que trabalhadores da concessionária também foram atingidos durante a ação policial.

O deputado estadual Matheus Gomes (Psol) manifestou apoio à comunidade e criticou a postura das forças de segurança. Em suas redes sociais, ele destacou que a manifestação já havia sido finalizada quando a repressão ocorreu, classificando a ação como desproporcional.
“Quando estávamos conversando a equipe da CEEE Equatorial, começando a desmobilizar o protesto, o Choque começou a reprimir. Não aconteceu absolutamente nada. Pegou bomba em criança, em mim, inclusive nos trabalhadores da CEEE. Foi muito violento”, destaca Mariana Dambroz, do Levante da Juventude RS, que estava presente na manifestação.
Posicionamentos oficiais
Ao Brasil de Fato RS, a CEEE Equatorial disse que normalizou suas operações e restabeleceu o fornecimento de energia logo após o protesto. Também que disponibilizou quase 500 equipes que trabalharam sem interrupção para restabelecer a rede elétrica danificada pela queda de centenas de árvores e postes. A empresa reforçou ainda que está disponível para atender as demandas da população por meio de seus canais oficiais de comunicação e que segue investindo em melhorias para minimizar os impactos de eventos climáticos extremos no fornecimento de energia.
A Brigada Militar também foi procurada para comentar a ação policial durante o protesto e se manifestar sobre as denúncias de uso excessivo da força. O espaço permanece aberto.
