Na frente dos vizinhos e da esposa grávida de oito meses, um jovem negro de 22 anos, Gabriel Junior Oliveira Alves da Silva, foi morto por um policial militar na noite desta terça-feira (1º) em Piracicaba, interior de São Paulo. A execução ocorreu por volta das 19h30, depois que ele e sua esposa foram abordados pela polícia. De acordo com depoimento dos agentes no Boletim de Ocorrência, o disparo na cabeça foi feito pois Gabriel pegou uma pedra para defender a esposa.
Um vídeo feito por vizinhos registra o momento do disparo e o desespero das pessoas na Rua Raul Ataíde, no bairro Vila Sônia. “Mataram o menino, mataram o Biel!”, grita uma mulher. Rebeca Mirian Alves Braga, que havia sido puxada por um dos agentes, se desvencilha e agacha, aos prantos, ao lado do seu companheiro baleado. As imagens circulam pelas redes sociais.
Gabriel foi levado de ambulância ao Hospital dos Fornecedores de Cana de Piracicaba, onde sua morte foi constatada. Além do bebê na barriga de Rebeca, o jovem deixou dois filhos. O sepultamento aconteceu na manhã desta quinta-feira (3), no Cemitério Municipal da Vila Rezende, em Piracicaba.
O autor do disparo foi o policial Júnior César Rodrigues. O seu colega de patrulhamento, que levava Rebeca, é Leonardo Machado Prudêncio. Nenhum dos dois usava câmera corporal. Na versão dos policiais, a abordagem aconteceu porque teriam visto Gabriel com “um volume suspeito”.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da subseção de Piracicaba, Gustavo Henrique Pires, afirmou que vai acompanhar o caso.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Segurança Pública do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) informou que o episódio está sendo investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios do Deic do Deinter 9. “A Polícia Militar também conduz um inquérito policial militar (IPM) para apurar os fatos. A instituição não tolera desvios de conduta ou excessos e ressalta que, se constatadas irregularidades, os envolvidos serão devidamente responsabilizados”, diz nota da pasta, que é chefiada pelo ex-capitão da Rota, Guilherme Derrite.
O vídeo do caso de Gabriel se soma a outros registros de violências praticadas por policiais militares – tais como o da execução de um jovem no mercado Oxxo e de um rapaz jogado de cima de uma ponte – que tem pressionado o governo estadual a dar explicações sobre sua política de segurança pública. No fim do ano passado, quando os dois vídeos citados ganharam os jornais e as redes, Tarcísio de Freitas e Guilherme Derrite vieram a público lamentar as condutas, referidas como casos pontuais de desvios.