A jornalista Wanda Chase faleceu na madrugada desta quinta-feira (3), aos 74 anos, em decorrência de complicações de uma cirurgia de aneurisma da aorta realizada no Hospital Teresa de Lisieux, em Salvador (BA). A informação foi divulgada pela família no início da manhã através das redes sociais. Com mais de três décadas de atuação, Chase foi uma das primeiras mulheres negras a ganhar destaque no jornalismo televisivo e se tornou referência na comunicação pela valorização da cultura baiana e pela luta por igualdade racial.
Através das redes sociais, a jornalista anunciou no dia 11 de março que estava cuidando da saúde após ser acometida por uma virose. Segundo a família, seu quadro teve complicações e, na quarta-feira (2), Chase deu entrada no hospital, onde recebeu o diagnóstico de aneurisma dissecante da aorta. Ela entrou em cirurgia por volta das 17h, mas não resistiu. O velório está marcado para amanhã (4) a partir das 13h no Cemitério do Campo Santo, em Salvador.
Pioneira no jornalismo
Nascida no Amazonas e radicada na Bahia desde 1991, Wanda Chase acumulou mais de 45 prêmios e passou por diversos veículos de comunicação, como o Jornal A Crítica, Rede Manchete, TV Cabo Branco, Rede Globo Nordeste e TV Bahia, onde trabalhou por 27 anos. Mesmo após sua aposentadoria, Chase continuou na ativa escrevendo uma coluna semanal em um portal de notícias e trabalhando em projetos como podcast e livro sobre a Axé Music.
A jornalista também teve um importante papel na luta antirracista, sendo, inclusive, uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU) na Bahia. Através das redes sociais, o movimento lamentou a partida da militante.
“Pioneira no jornalismo, Wanda usou a comunicação como ferramenta de denúncia, resistência e afirmação da identidade negra. Foi uma referência ética, crítica e combativa – dentro e fora das redações. Sua atuação marcou gerações e segue como exemplo. Wanda Chase, presente! Hoje e sempre”, expressou o MNU.
Em 2002, a jornalista recebeu o Título de Cidadã Soteropolitana concedido pela Câmara Municipal de Salvador. Em março deste ano, também receberia o Título de Cidadã Baiana, pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). A cerimônia, porém, foi adiada por conta dos problemas de saúde da jornalista.
Legado a ser celebrado
Em postagem nas redes sociais, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, também expressou o luto pela partida de Wanda Chase.
“Neste momento de dor, expresso minhas mais sinceras condolências aos familiares, amigos e colegas de Wanda. Que seu legado de resistência, amor e dedicação à causa negra continue a inspirar gerações.”
A Secretaria de Cultura da Bahia (Secult-BA) publicou nota de pesar também salientando a contribuição profissional e política da jornalista.
“Além de sua atuação como repórter, editora, colunista e apresentadora, Wanda Chase foi uma referência para a cultura baiana e uma militante incansável do movimento negro, lutando por mais visibilidade e inclusão para as comunidades afro-indígenas. Sua voz potente e sua coragem em abordar temas como racismo e desigualdade social a tornaram uma referência para as novas gerações de jornalistas e ativistas,” destaca trecho da nota.