Apesar de já sofrer tarifas de 25% em suas exportações aos EUA, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, qualificou de “bom” para o seu país o fato do presidente dos EUA, Donald Trump, não aplicar tarifas recíprocas como fez com diversas nações. O país ficou de fora da lista de países de ofensivas tarifárias divulgada pelo republicano na última quarta-feira (2), no chamado “Dia da Libertação”.
“Isso é bom para o país”, disse Sheinbaum em coletiva de imprensa nesta quinta (3) ao se referir à decisão do republicano. Segundo a presidente, a decisão do magnata é resultado da “boa relação que construímos com os EUA, baseada no respeito aos mexicanos e na soberania nacional”.
Junto com o Canadá, o país latino-americano ficará com os “meros” 25% de taxas anunciados por Trump em janeiro. O México tem sido um dos países mais vulneráveis ao tarifaço do governo Trump, já que os EUA são o destino de 80% de suas exportações e seu maior parceiro comercial, graças ao tratado de livre comércio entre os dois países e o Canadá, o T-MEC.
Após seu retorno à Casa Branca em janeiro, Trump ameaçou México e Canadá com tarifas de 25%, em represália por supostamente permitirem o tráfico de drogas e de migrantes irregulares em seu território. O secretário de Economia do México, Marcelo Ebrard, disse que o tratado de livre comércio “se mantém”, o que qualificou de uma “conquista maior” em uma nova ordem comercial “fundada em tarifas”.
Agora, o governo mexicano estará concentrado em obter “as melhores condições” nas taxas que Trump anunciou sobre os automóveis, o aço e o alumínio, acrescentou o funcionário. “A nossa meta nos próximos 40 dias é conseguir as melhores condições do mundo na indústria automotiva, o mesmo para o aço e o alumínio”, destacou Ebrard.
Nesse sentido, a montadora Stellantis, que tem fábricas nas cidades de Toluca e em Saltillo, disse em comunicado que pausaria a produção em algumas fábricas no México e no Canadá. A empresa produz no México veículos das marcas Dodge e Ram.
As tarifas de 25% entraram em vigor no México para todas as mercadorias que não estão cobertas pelas normas do tratado de livre comércio. Por isso, a presidente mexicana disse que buscará que todas as empresas passem “a exportar no T-MEC”.
Cerca de 50% dos bens mexicanos de exportação estão sob cobertura do T-MEC, segundo cálculos de analistas. Sheinbaum ainda apresentará um plano “integral” para fortalecer a economia diante das tarifas.
O anúncio fará parte do chamado “Plano México”, um projeto do governo com a iniciativa privada que busca aumentar os investimentos e o fornecimento locais.
*Com AFP e El País