Uma área às margens da BR-116, em Minas Gerais, foi ocupada por mais de 600 famílias de agricultores e agricultoras na madrugada deste sábado.
O grupo é ligado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e reivindica a desapropriação da Fazenda Rancho Grande para reforma agrária.
Em declaração ao Brasil de Fato, o dirigente do MST em Minas Gerais, Silvio Netto, afirmou que a ação inicia o Abril Vermelho no estado e nacionalmente.
“Foi uma madrugada de mobilização e luta”, ressaltou ele, que pontuou também o simbolismo de começar o período de reafirmação da luta em território mineiro.
Segundo ele, qualquer ato de violência contra as famílias será responsabilidade do governo do estado.
“É muito simbólico iniciar o nosso abril por Minas Gerais, ainda mais com o governador Romeu Zema (Novo), que publicamente se manifesta a favor da violência no campo e contrário ao direito que o povo mineiro tem de produzir alimentos, ter acesso à terra e ter uma vida digna no campo.”
O mês de luta camponesa rememora a chacina de Eldorado do Carajás (PA), em 1996, quando 21 sem terra que participavam de um protesto pacífico foram mortos por policiais militares.
Em nota, o MST lembrou que terras que não cumprem a função social prevista em lei devem ser destinadas à reforma agrária e que, portanto, a ocupação é constitucional.
“Não podemos esquecer que Minas Gerais carrega marcas profundas da violência no campo. No Vale do Rio Doce, os companheiros Zé dos Peixes e Silvino Gouveia foram brutalmente assassinados por lutarem pela terra. Em Felisburgo, cinco sem terra foram executados por reivindicar o direito de produzir. Até hoje, a área onde ocorreu o massacre segue sem ser destinada à reforma agrária”, frisou o movimento.