A tarifa universal de 10% sobre todos os produtos estrangeiros importados pelos Estados Unidos começou a valer neste sábado (5). A medida é parte do chamado “tarifaço” do presidente estadunidense Donald Trump, anunciado na última quarta-feira (2). O pacote inclui também as tarifas recíprocas, que entram em vigor na próxima quarta-feira (9).
Com isso, os produtos estrangeiros receberão tarifas extras que variam de 10% (voltadas a países como Argentina, Austrália e Brasil) até 50%. Segundo Trump, as taxas mais altas são voltadas para países que “trapacearam” os Estados Unidos.
A China, segunda maior economia do mundo, recebeu tarifas de 34%. Somadas às tarifas de 20% que já estavam em vigor, os produtos chineses serão taxados em 54% ao entrar nos Estados Unidos. Em resposta, o governo chinês anunciou tarifas de 34% sobre produtos dos EUA.
Neste sábado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que “o mercado respondeu” às tarifas de Trump, e afirmou que Washington precisa “solucionar suas diferenças com parceiros comerciais por meio de consultas equitativas”. Segundo a agência de notícias Reuters, diversas associações comerciais e industriais chinesas publicaram declarações hoje pedindo união na busca por novos mercados, além de alertar que as tarifas podem piorar a inflação nos Estados Unidos.
Na semana passada, o presidente chinês, Xi Jinping, enviou uma carta à presidenta indiana, Droupadi Murmu, sugerindo que os dois países aprofundem a parceria bilateral que já dura 75 anos, no que o líder chinês chamou de “tango do elefante com o dragão”.
Já em Bangladesh, o líder interino, Muhammad Yunus, convocou uma reunião de emergência hoje para discutir os rumos da indústria têxtil e de vestuário do país. Atrás somente da China, Bangladesh é hoje o segundo maior produtor do setor no mundo, e as exportações destes bens correspondem a 80% do PIB.
Anualmente, Bangladesh exporta US$ 8,4 bilhões para os Estados Unidos em roupas e tecidos todo ano. O país sedia fábricas de marcas multinacionais, inclusive dos Estados Unidos, como Gap Inc, Tommy Hilfiger e Levi Strauss.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aliado de Trump, deve se encontrar com o mandatário estadunidense na segunda-feira (7), segundo informações da agência Reuters conseguidas com três fontes oficiais de Israel. A visita ainda não foi confirmada pelo gabinete de Netanyahu, mas se ela acontecer, o primeiro-ministro de Israel será o primeiro líder mundial a se reunir com Trump para discutir a questão das tarifas.
Produtos israelenses receberam uma taxa extra de 17% no tarifaço de Trump, colocando em risco o acordo de livre comércio entre os dois países, assinado 40 anos atrás.
E não são só os líderes mundiais que têm reagido. A fabricante de carros de luxo Jaguar Land Rover suspendeu as exportações de veículos produzidos no Reino Unido para os Estados Unidos durante o mês de abril. A marca é subsidiária da indiana Tata Motors. Segundo a empresa, a suspensão acontece para que ela possa estudar como mitigar os efeitos das tarifas de 25% impostas sobre veículos importados, que entraram em vigor na última quinta-feira (3). A Jaguar Land Rover exporta cerca de 100 mil carros todos os anos para os Estados Unidos.
‘Não vai ser fácil’
Em post na sua própria rede social, a Truth Social, neste sábado, o presidente dos EUA, Donald Trump, fez um post para acalmar os ânimos da própria população estadunidense, após dias de bolsas de valores operando em queda. Na publicação, ele escreveu: “Esta é uma revolução econômica, e vamos vencer. Aguentem firme, não vai ser fácil, mas o resultado final será histórico”. Ele também garantiu que o tarifaço levará empregos e negócios de volta ao país.
Também neste sábado, movimentos de esquerda fazem protestos massivos contra as políticas de Donald Trump. Segundo a organização MoveOn, uma das organizadoras dos atos, mais de mil protestos devem ocorrer no país todo, incluindo na capital Washington DC.
O site das manifestações afirma que “Trump, Musk e seus amigos bilionários estão orquestrando um assalto ao nosso governo, nossa economia e nossos direitos básicos”.